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Dornelles: “cassar por crime tributário abriria precedentes contra outros senadores”

Ao defender Renan Calheiros, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) lembrou que a base da acusação contra o presidente do Senado era de que os recursos entregues por Renan a Mônica Velloso teriam sido repassados por uma “empresa de serviços” (empreiteira Mendes Júnior), por intermédio de um “dos seus empregados” (Cláudio Gontijo).

“Então o que é que aconteceu? A empresa de serviços declarou que não fornecia nenhum recurso ao senador Renan Calheiros. O empregado da empresa de serviços declarou que os recursos que levava à jornalista pertenciam ao senador e que ele, simplesmente, os levava à jornalista porque era amigo comum de ambos. O senador afirma que os recursos eram de sua propriedade. A jornalista, em momento algum, questionou sobre a origem dos recursos”, disse Dornelles. “O Conselho de Ética entendeu que o senador Renan não tinha renda nem patrimônio suficientes para fornecer à jornalista Mônica Velloso os recursos”.

Dornelles concluiu que o próprio Conselho só vira no caso um crime de ordem tributária. “Acontece que um crime dessa natureza somente pode ser tipificado no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, conduzido pela Secretaria da Receita Federal, conforme tramitação prevista em legislação própria”, disse o senador, que já foi secretário da Receita Federal.

Dornelles disse a seus colegas que os documentos de Renan não foram submetidos à Receita Federal e que o Senado corria o risco de cassar o mandato do presidente da Casa por algo que não está provado. “Como ficaria o Senado se, cassado o mandato do senador Renan Calheiros com base em crime por ele cometido contra a ordem tributária, fosse ele amanhã absolvido pela Secretaria da Receita Federal?”, indagou Dornelles, que advertiu: “condenar por eventual crime contra a ordem tributária pode criar um precedente perigoso que pode atingir outros senadores”.

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