Professores e funcionários acampam em frente à Secretaria de Educação de SP
“A
luta é por melhores condições de trabalho, salário e ensino”
Milhares de profissionais da rede estadual paulista
realizam assembléia unitária nesta sexta na Praça da República para exigir
do governo a abertura imediata de negociação e o fim da “deterioração do
ensino público”
Os profissionais da educação de São Paulo estão acampados
desd
e segunda-feira na Praça da República, em frente à Secretaria Estadual
de Ensino, no centro da capital, para denunciar a intransigência do governo
José Serra, que se nega a abrir negociação com professores e funcionários.
Uma assembléia unitária das várias entidades representativas do setor está
sendo convocada para esta sexta no mesmo local.
Afuse (Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação
do Estado), Apampesp (Associação dos Profissionais Aposentados do Magistério
Público Estadual), Apase (Sindicato de Supervisores do Magistério), Apeoesp
(Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado), CPP (Centro do
Professorado Paulista) e Udemo (Sindicato de Especialistas de Educação do
Estado) lançaram manifesto conjunto chamando para o ato. “O ensino público
estadual está deteriorado”, denunciam as entidades, frisando a necessidade
de reverter a atual situação com “melhores condições de salário e trabalho”,
que “significam melhor qualidade de ensino para crianças e adolescentes”.
CAMPANHA
De acordo com o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de
Castro (Carlão), o objetivo das aulas públicas e atividades culturais
desenvolvidas no acampamento é dar visibilidade à campanha unificada e
fortalecer a convocação para a assembléia. “Nossa pauta de reivindicações
foi apresentada em fevereiro, nossa data-base é primeiro de março, mas até
agora o governo estadual não falou nada nem sobre a reposição das perdas nem
sobre a incorporação das gratificações para atingirmos o piso reivindicado
pela categoria, de R$ 1.733,88, que é o salário mínimo do Dieese”, declarou.
Conforme Carlão, “o quadro é bastante preocupante, pois
está ocorrendo o envelhecimento da categoria. Com os baixos salários e as
atuais condições de trabalho, os profissionais estão sendo desestimulados,
já faltando professores de física, química, biologia, matemática e
filosofia, que acabam abandonando as salas de aula pois são melhor
remunerados em outras áreas”. Questionado sobre como estão as condições das
bibliotecas, laboratórios e salas de informática no Estado mais rico do
país, o presidente da Apeoesp denunciou que, na imensa maioria das escolas,
“quando têm, não funcionam”. Para completar, condenou, “faltam materiais
pedagógicos, as salas estão superlotadas e a insegurança é constante, com os
traficantes ocupando cada vez mais espaço nas escolas”. Todos esses
elementos combinados, ressaltou, “contribuem para a permanência cada vez
menor do aluno na escola e para a conseqüente queda na qualidade do ensino”.
VALORIZAÇÃO
Na avaliação de Ednaldo do Carmo dos Santos, diretor da
Afuse, “a principal reivindicação dos funcionários e servidores da educação
é a valorização da administração pública, que se dá com salários dignos e
capacitação profissional”. Conforme a entidade, a defasagem salarial dos
últimos oito anos já alcança 78%: “em 2000, nosso piso era de 3 salários
mínimos; hoje, é de apenas 1,2”. Soma-se a este violento arrocho,
esclareceu, a falta de concursos públicos. “Assim, temos hoje uma defasagem
de 35 mil servidores. Há uma proposta do governo, enviada à Assembléia
Legislativa, de abrir um edital para a contratação de 2.525 secretários de
escola, mas de nenhum agente de organização escolar ou agente de serviço
escolar. Diante de tantos problemas, nos somamos com todos os profissionais
da educação, para pressionar o governo a mudar essa política”, acrescentou
Ednaldo.
APOSENTADOS
Para a vice-presidente da Associação dos Profissionais
Aposentados do Magistério Público Estadual, Wally de Jesus, “dizer que a
situação dos aposentados é péssima, seria dizer que está boa demais. Na
verdade, é caótica, pois há muitos anos os governos vêm fazendo uma
discriminação aos aposentados, com uma política de gratificações e bônus que
não contempla os trabalhadores inativos”. “Nos governos do PSDB têm se
acentuado esta discriminação, onde o aposentado foi jogado lá para baixo com
seu Plano de Carreira”, ressaltou.
A vice-presidente do Centro do Professorado Paulista,
Loretana Pancea, acredita que a unidade e a mobilização dobrará a
intransigência. “Os salários estão abaixo da crítica, a profissão está
desacreditada e a penúria é grande. Cansamos de mandar ofício para a
Secretaria de Educação alertando para os nossos problemas, falando da
necessidade da abertura de negociação, de diálogo olho no olho. Agora, a
hora é de preparar a assembléia e uma grande greve para garantir nossos
salários e direitos”.
LEONARDO SEVERO