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Brecht: Atual como sempre

Carlos Pinto*

“Toda manhã, para ganhar meu pão,

vou ao mercado onde se compram mentiras.

Esperançoso, entro na fila dos vendedores.”

Brecht

O dia 14 de agosto marca o aniversário do desaparecimento de Bertolt Brecht. Nascido em fevereiro de 1898, na cidade de Augsburg, na Baviera, Alemanha, ainda não havia completado dezesseis anos e já publicava sua primeira obra na revista “Die Ernte”. Tratava-se de um drama intitulado “A Bíblia”, que antecede a publicação nessa mesma época de algumas poesias, narrativas, resenhas, bem como se dedicou a trabalhar em textos teatrais.

Sua carreira como dramaturgo inicia-se ao final da primeira guerra mundial, em 1918, na cidade de Munique, com a peça “Baal”. Em 1922 recebe o prêmio Kleist e faz estrear uma de suas polêmicas obras, “Tambores na Noite”. Ao mudar-se para Berlim em 1924, liga-se ao Deutsches Theater, e vai ser assistente de dois grandes mestres das artes cênicas germânicas: Max Reinhardt e Erwin Piscator. Conhece a atriz Helene Weigel, com quem se casa em 1926, e que foi sua fiel companheira até o seu falecimento.

Seu primeiro grande sucesso veio com a encenação de “A ópera dos três vinténs”, que marca também o início de sua parceria com o compositor Kurt Weill. Ao final dessa década inicia sua participação no Partido Comunista Alemão, realizando os cursos de marxismo por ele patrocinados. Em 1931, sua “A ópera dos três vinténs” é transformada em roteiro cinematográfico, sendo o filme dirigido por George Pabst. Ainda neste ano, Brecht realiza o roteiro de um filme intitulado “Kuhle Wampe”, dirigido por Slatan Dudow, onde faz referências à queima de café no porto de Santos, fato ocorrido nessa época, filme esse que jamais chegou ao Brasil.

Com o crescimento do nazi-fascismo procura exílio na Tchecoslováquia e, posteriormente, na Áustria, Suíça, Dinamarca, Suécia e Finlândia. Com a contínua ascensão de Adolf Hitler, Brecht termina por encaminhar-se em 1941 para os Estados Unidos, onde desenvolve atividades cinematográficas. Após a Segunda Guerra Mundial, ocorre nos Estados Unidos uma perseguição política iniciada pelo Senador Joseph McCarthy, denominada “macartismo”. E, em 1947, Bertolt Brecht é intimado a depor no Comitê de Atividades Antiamericanas, que vasculha as manifestações dos artistas na busca de envolvidos em atividades comunistas na América. É uma verdadeira caça às bruxas que liquidou com as carreiras de muitos astros de Hollywood. A seguir, Brecht resolve retornar à Europa e, em 1948, vai iniciar as atividades do seu teatro, o Berliner Ensemble, por ele fundado na Alemanha Oriental, com sua obra “O Senhor Puntila e seu criado Matti”, que também dirigiu.

Por vários anos a seguir, o Berliner Ensemble vai se tornar a primeira referência mundial em termos de dramaturgia e encenações, em função do trabalho desenvolvido por Brecht, seus filhos e sua mulher. Em 14 de agosto de 1956, Bertolt Brecht viria a falecer deixando uma das obras mais polêmicas, e do mais elevado grau de conscientização política na história da dramaturgia mundial. Com ele morreu uma parte dessa história, que, no entanto, renasce em cada nova encenação de um de seus textos.

* é secretário de Cultura de Santos (SP)

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