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Westmoreland de Bush encena no Senado “avanço” no Iraque
 

“O general David Petraeus fez uma cuidadosa manipulação das estatísticas”, afirmou o senador Dick Durbin ao sintetizar a exposição do atual comandante de Bush no Iraque ao Congresso

“Estão insultando o povo americano”, condensou a presidente da Câmara federal, deputada democrata Nancy Pelosi, referindo-se à encenação do general comandante de Bush no Iraque, um certo David Petraeus, sobre os “avanços” de uma guerra que todos sabem que está perdida. Naturalmente, em momento algum Petraeus pronunciou as palavras mágicas, petróleo, Exxon, Chevron, Halliburton ou votação da “lei” de privatização do petróleo. Como todo mundo sabe, o que leva Bush a insistir em manter lá os mais de 250 mil invasores, entre soldados regulares e mercenários, é seu desejo humanitário de evitar que os “violentos iraquianos” se matem “sectariamente uns aos outros” – estranho hábito imposto desde a invasão.

“GANHAR TEMPO?”

Com a ajuda de estatísticas remendadas e desinteressadas reinterpretações dos fatos, o insigne cabo de guerra relatou ao lumpanar os progressos da “Escalada” de Bush. Petraeus sugeriu, ainda, retirar, no prazo de um ano, os soldados enviados a mais para a “Escalada” – 30 mil -, e volta ao efetivo anterior. Sem somar os soldados privados, terceirizados, que somam 130 mil. Informado que a manutenção das tropas serviria a um “propósito”, o senador republicano Chuck Hagel exaltou-se: “Ganhar tempo?” “Para o quê?”

A performance do vaidoso general já lhe valeu, dentro dos EUA, o apelido de “Westmoreland de Bush”. Westmoreland era o comandante das tropas dos EUA no Vietnã e costumava melhorar o quadro da guerra fraudando os números e outros detalhes. Chegou a reduzir pela metade a quantidade de “combatentes comunistas” prevista, o que foi descoberto por um analista da CIA e virou um escândalo. Mas como não tinha combinado direitinho com o vietcong, aquela metade – uns 300 mil - apareceu em peso na Ofensiva do Tet fazendo o maior barulho, e ele acabou no chuveiro mais cedo.

A encenação já começava por Bush ter marcado o 11 de Setembro como a data da exposição de Petraeus no Congresso, auxiliado pelo vice-rei do Iraque, embaixador Cro-cker. Ou seja, mais uma chantagem contra o povo norte-americano. O próprio Petraeus é uma fraude, como relatou o jornalista Patrick Cockburn, que lembrou que novembro em 2004 a Resistência tomou em dois ou três dias a terceira maior cidade do Iraque, Mossul, que estivera sob comando dele. Não é qualquer um que se presta para o papel encomendado a ele por Bush. Mesmo dentro do maior exército imperialista do mundo, houve generais que se opuseram à aventura no Iraque e até um da altivez do general Taguba, que investigou Abu Graib. Mas o nome de Petraeus foi lembrado não por seus feitos em combate, mas pela covardia contra o povo de Tal Afar, uma pequena cidade do norte do Iraque, transformada por ele em campo de concentração, operação considerada “modelo” para a “contra-insurgência” em Bagdá.

PIOR PARA OS FATOS

Como assinalou o senador Dick Durbin, o que Petraeus fez foi uma “cuidadosa manipulação das estatísticas”. Se os fatos não atendem às expectativas de Bush e Petraeus, pior para os fatos. Não se vexam em fraudar as eleições em casa, imagine-se o número de civis assassinados no Iraque ou de ataques. Ainda assim, toda a suposta “melhoria” significa a volta da quantidade de mortos ao patamar anterior à segunda explosão da mesquita dourada de Samarra, terceiro lugar mais santo do culto xiita no Iraque. Atentado ainda mais obviamente cometido pela CIA que o primeiro, porque estava desde então em esquema especial de segurança do invasor.

Ao lançar a “Escalada”, Bush afirmou que o objetivo era “controlar Bagdá”, para poder virar a guerra, objetivo de que ele não fala mais. A essência da operação contra Bagdá era cercar, com as tropas dos EUA, pedaço a pedaço, as áreas onde a Resistência dominava, a maior parte da cidade, enquanto os esquadrões da morte montados diretamente pela CIA ou pelos lacaios promoviam a chacina e a limpeza étnica. A segunda explosão da mesquita de Samarra serviu de senha para esses esquadrões. A operação inclui a imposição de muros e o controle de quem entra e quem sai. Mas a Resistência continua entrando e saindo quando quer, e mandando chumbo nos invasores e lacaios. No “depoimento”, o senador republicano John Warner indagou de Petraeus se a atual estratégia no Iraque “estava fazendo a América mais segura”. O general enrolou, asseverando que “estava fazendo o melhor que podia” para atingir “nossos objetivos no Iraque”. Pressionado de novo, confessou: “Sir, eu não sei, realmente”.

                                                                                             ANTONIO PIMENTA

 

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