EUA:
negros e latinos são os mais explorados pelos juros escorchantes das
hipotecas
A crise hipotecária que se instalou nos Estados Unidos
afeta mais as famílias latinas e negras, confirmou um estudo realizado pela
Associação de Organizações Comunitárias para uma Reforma Imediata, ACORN,
publicado no dia 9 último. Os dados apresentados revelam que os
proprietários com essas características têm três vezes mais possibilidades
de receber empréstimos com juros superiores aos normais que os proprietários
brancos, e renda em média 40% menores.
A Associação exigiu publicamente que as entidades
financeiras que funcionam na base da agiotagem modifiquem os valores dos
empréstimos, com a aplicação de condições que permitam as pessoas manterem
as suas moradias. Demandou também novas leis contra os empréstimos
usurários.
As hipotecas são mais caras para as famílias
afro-descendentes e latinas em Boston, Char-lotte, Chicago, Los Angeles,
Nova Iorque e Rochester (estado de Nova Iorque). Nessas seis cidades se
comprovou 3,8 vezes mais provável que os negros recebessem uma hipoteca com
um custo maior que os brancos; os latinos não ficam longe: 3,6. O estudo
analisou principalmente a concessão de empréstimos por parte do Citigroup,
Country-wide, Gmac, HSBC, JPMorgan Chase, Washington Mutual e Wells Fargo.
Trata-se de proprietários que não podem continuar pagando
as hipotecas de alto risco (subprimes), que usaram para comprar suas casas
nos últimos anos, quando os preços das propriedades atingiram níveis sem
precedentes.
Muitos compradores não reuniam os requisitos para receber
um empréstimo hipotecário. Mas a enorme bolha imobiliária foi o jeito de, no
meio da crise, o governo americano manter a economia funcionando. A
indústria imobiliária instaurou várias fórmulas para prender os compradores,
entre elas as chamadas subprimes, que com o pretexto de que compradores
terem pouca renda, não tinham juros fixos.
O esquema se baseou no oferecimento de créditos
predatórios, com as pessoas sendo empurradas para hipotecas de longo prazo,
que eram rolados pelas seguradoras, corretoras e bancos, com juros em
aumento. A dívida cresceu tanto que nem vendendo a casa da para pagar os
bancos, que por sua vez sem conseguir recuperar o dinheiro que empurraram,
entraram em colapso.
Sob a tensão agravada pelo aumento do desemprego, várias
organizações e sindicatos que contam com maioria de trabalhadores
afro-americanos e latinos estão pedindo uma moratória para impedir que as
famílias humildes percam suas moradias.