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Gabeira e Jungmann promovem bagunça na porta do Senado

A balbúrdia causada por um grupo de deputados na entrada do plenário do Senado pouco antes do início da sessão que viria inocentar o senador Renan Calheiros, quando o grupo encabeçado pelos deputados Fernando Gabeira (PV) e Raul Jungmann (PPS) agrediu  funcionários da segurança da Casa, causou indignação e protestos em senadores de vários partidos, que consideraram a atitude dos parlamentares pró-cassação uma provocação contra a autonomia do Senado.

“Eles (deputados) querem aparecer. Então que vão fazer bagunça lá na casa deles. Só porque têm um botton acham que podem chegar aqui dando sopapos”, disse o senador Papaléo Paes (AP), um dos senadores do PSDB que condenaram a ingerência. Papaléo pediu ainda que os colegas repudiassem a agressão contra os seguranças: “Não serão desculpados aqueles que, investidos do cargo parlamentar, usam dessa função de deputado ou de senador para intimidar pessoas de outras categorias sociais e políticas. A violência que esses cidadãos causaram aí fora – os srs. deputados – é uma violência que esta Casa aqui tem que repudiar”.

O tumulto começou quando o grupo de parlamentares, munidos de uma liminar do STF, tentou forçar a entrada no plenário do Senado. A Mesa da Casa e os senadores – inclusive os que defendiam a sessão aberta – temiam que a decisão pudesse causar problemas jurídicos que anulasse a sessão. Isso porque, como o Senado não tem poder para punir os deputados, era mais do que notório que a intenção de tais parlamentares – como o fizeram – era vazar informações do que ocorria lá dentro para a imprensa. Jungmann agrediu um funcionário e Gabeira – ao tentar acertar um servidor do Senado - chegou a atingir com um soco o senador Tião Viana, presidente em exercício do Senado, que foi verificar o que estava acontecendo. Após a agressão a Tião Viana, Gabeira informou que deu o soco “inadvertidamente”, mas que “agora nos beijamos e está tudo bem”. Concluímos assim que a cara do presidente em exercício do Senado foi a única responsável no episódio porque ficou no caminho e distraiu o deputado, que estava concentrado na sua árdua tarefa de acertar o pobre servidor público. Quanto ao beijo, é aquele tal negócio: depois da queda, o coice.

O senador Magno Malta (PL) considerou a decisão do STF uma intromissão no regimento interno do Senado e também condenou a ação de Gabeira e Cia. “Aproveito, também, para repudiar o episódio danoso, ocorrido à porta de entrada do Senado”, ressaltou. O senador Jayme Campos (DEM) concordou com Malta, acrescentando que “não podemos, em hipótese alguma, nós, senadores, concordar se, amanhã ou depois, alguns dos nossos servidores desta Casa forem penalizados, tendo em vista o episódio que aconteceu com os srs. deputados”. O senador Demóstenes Torres (DEM) considerou o ato um “episódio lamentável, houve uma pancadaria e deve ser apurada”.

Outros senadores, como Wellington Salgado (PMDB-MG), lembraram que tais deputados são conhecidos por fazer encenações para chamar a atenção da mídia. “Aqui, o que houve é que existe um grupo de deputados que eu chamo de multimídia, de big brother. Eles sempre querem aparecer. No Senado, não tem essas confusões”, declarou.

Os deputados e alguns senadores tentaram usar o confronto forçado para pressionar o plenário a votar pela cassação, como fez o relator do processo, senador Renato Casagrande (PSB-ES), que disse que o triste episódio poderia ajudar o Senado a recuperar a sua credibilidade. Já o senador Efraim Moraes (DEM) afirmou que ocorreu uma “anarquia” que seria condenada pela opinião pública, que apenas esperava uma decisão dos senadores.

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