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Redução da jornada, combate à terceirização e defesa da Saúde pública
CGTB, CUT, Força e UGT
convocam Marcha a Brasília para dezembro
Iniciativa dá continuidade às mobilizações unitárias que garantiram, com
negociações junto ao governo federal, o maior aumento do salário mínimo do
país em duas décadas
Reunidos
em São Paulo, segunda-feira, dirigentes da Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CGTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical e
União Geral dos Trabalhadores (UGT) aprovaram a realização de uma IV Marcha
conjunta a Brasília no dia 5 de dezembro, dando prosseguimento à iniciativa
responsável em 2004, 2005 e 2006 pelo maior aumento do salário mínimo em
duas décadas. A decisão potencializa a Jornada pelo Desenvolvimento, com a
qual as centrais têm debatido nos Estados sobre a importância da
distribuição de renda e a valorização do trabalho.
Em Brasília, as centrais também vão cobrar do Congresso
Nacional que respeite e faça valer o acordo firmado com o governo federal,
reajustando o salário mínimo pela variação do INPC mais o PIB de 2006, como
aumento real.
POSITIVO
A bandeira principal da mobilização deste ano será a
redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de
salário, dialogando com a sociedade sobre os impactos positivos da medida,
tanto do ponto de vista da qualidade de vida, com maior tempo de estudo e
lazer, como da geração de novos postos de trabalho. A diminuição da jornada
legal também ajudará categorias que já têm o benefício assegurado por acordo
ou convenção coletiva, proporcionando maiores avanços.
Com a palavra de ordem Mais e Melhores Empregos, as
centrais vão priorizar o combate à terceirização - que tem alastrado a
informalidade e a precariedade - e a defesa da Convenção 158 da OIT
(Organização Internacional do Trabalho), que impede a dispensa imotivada,
prática responsável pela alta rotatividade e utilizada como mecanismo de
arrocho nos salários nas mais variadas categorias.
EMENDA 29
A terceira reivindicação da Marcha deste ano será a defesa
da saúde pública de qualidade, sublinhando a necessidade de mais e melhores
investimentos na área. Para o presidente da CUT, Artur Henrique, “há a
necessidade da regulamentação da Emenda 29, que está no Congresso Nacional
desde 2000 para ser votada, pois destina mais dinheiro para a Saúde,
vinculando alguns recursos do Orçamento para o setor, tanto a nível federal,
quanto dos estados e municípios. Essa é evidentemente uma luta pela
implementação e fortalecimento do SUS, do Sistema Único de Saúde, como
sistema público universal e de qualidade“, declarou Artur.
Para o vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira
(Bira), o salário mínimo é a principal fonte de distribuição de renda, sendo
necessário manter a pressão a fim de garantir a recuperação da imensa
defasagem existente, no período mais curto possível. “Há a possibilidade de
avançar no acordo firmado com o governo”, sublinhou. Bira também defendeu
que a Marcha “dê atenção especial aos servidores públicos, que vêm sendo
massacrados, sem valorização profissional e sem plano de carreira”. A luta
contra o Projeto de Lei Complementar (PLP 01), que impõe um limitador ao
índice de reajuste do funcionalismo, destacou o vice da CGTB, “é fundamental
para todos os que defendem a valorização do serviço público e dos
servidores”.
Na avaliação do secretário geral da Força Sindical, João
Carlos Gonçalves (Juruna), a exemplo das marchas dos anos anteriores, a
mobilização unitária contribuirá para sensibilizar o governo e os
parlamentares da importância das reivindicações apresentadas, “que fazem
justiça aos trabalhadores e dizem respeito ao tipo de desenvolvimento que
queremos para o nosso país”.
Para o diretor de Comunicação da UGT, Marcos Afonso de
Oliveira, a unidade do movimento sindical brasileiro em torno a bandeiras
comuns que apontam para melhores condições de vida e de trabalho fortalece a
perspectiva de luta e vitória em prol da classe trabalhadora e de toda a
sociedade.
LEONARDO SEVERO |