IBGE ampliou a
base de dados para cobrir do Norte ao Sul do país
PNAD revela
aumento da renda e da alfabetização
Aumento do
salário mínimo e o incentivo ao emprego formal se refletiram na
sindicalização e na contribuição previdenciária do trabalhador
O rendimento médio mensal dos trabalhadores
cresceu 7,2% em 2006, na comparação com 2005, revelou a Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada nesta sexta-feira (14) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A renda, que passou
de R$ 824 para R$ 883 e teve o maior crescimento nessa comparação desde
1995, beneficiou, na maior parte, a população que ganha menos.
O ganho real acima da inflação, de 13,3% do
salário mínimo, foi fundamental para o aumento de R$ 60 da renda dos
trabalhadores, para R$ 888 mensais. “O aumento real do salário mínimo nos
últimos anos está impactando o rendimento do trabalhador, principalmente a
renda das classes mais baixas” afirmou a economista do IBGE Márcia Quinstlr.
Os indicadores já vinham mostrando uma tendência
de recuperação nos anos anteriores. Mas, na PNAD de 2006 praticamente todos
os indicadores apresentaram melhora. A redução da desigualdade no país se
refletiu também no índice de Gini que caiu 0,0003 ponto percentual para
0,541 em 2005. O índice é um coeficiente utilizado internacionalmente para
medir a desigualdade. Quanto mais próximo de zero, melhor é o resultado.
Segundo analistas, um dos principais fatores
para esta redução foi a recuperação da renda pela parcela mais pobre da
população.
TRABALHO
O aumento do nível de ocupação, que subiu de
2,4% em 2006 em relação ano anterior. O desemprego caiu de 9,3% em 2005 para
8,4% em 2006. O número de trabalhadores com carteira assinada subiu 4,7%
para 30,1 milhão, o que equivale a 33,8% da população ocupada.
“Você tem mais pessoas trabalhando com carteira
de trabalho, conseqüentemente você tem mais pessoas contribuindo com a
Previdência, mais pessoas sindicalizadas, esse é o grande destaque da PNAD
2006 no que tange ao mercado de trabalho”, afirma Cimar Azeredo, coordenador
da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.
Ainda no campo do trabalho, o PNAD apontou um
aumento de 1,1% de trabalhadores com mais de 40 anos de idade na população
ocupada em 2006, em comparação com 2005. Ou seja, esse segmento passou de
39,0% em 2005 para 40,1% no ano posterior.
ESCOLARIZAÇÃO
O acesso à escola, que ultrapassou 97% das
crianças e jovens até 15 anos de idade, grande maioria nas instituições
públicas, a redução do analfabetismo e o aumento das vagas na universidade
também são conquistas do período, segundo a PNAD.
Em 2006, 14,9 milhões de brasileiros com mais de
10 anos de idade eram analfabetos, 4,2% a menos que em 2005, segundo a PNAD.
A taxa de analfabetos absolutos caiu 4,2% entre
2005 e 2006, indo de 10,2% em 2005 para 9,6% no ano passado. Para os
brasileiros com 15 anos ou mais, caiu 0,7 ponto percentual e, em 2006, era
de 10,4%.
A taxa de analfabetismo das pessoas de 10 anos
ou mais era de 18,9% no Nordeste e de 10,3% na região Norte. No Sul e no
Sudeste, os valores eram de 5,2% e 5,5%. O que levou o Ministério da
Educação a ampliar as ações nas regiões com maiores índices.
E, no ensino superior, o número de estudantes
cresceu 13,2% de 2005 para 2006. Tanto em função das vagas abertas na rede
pública, como da inclusão de estudantes de escolas estaduais e municipais
nas instituições privadas através do ProUni.
SINDICALIZAÇÃO
Com a redução da informalidade, cresceu o número
de contribuintes à Previdência Social em todas as regiões do país, passando
de 47,4% em 2005 para 48,8% em 2006. Aumentou também o número de
trabalhadores sindicalizados. Em 2006, havia 16,5 milhões de associados a
sindicatos. Com isso, os sindicalizados representavam em 2006 18,6% da
população ocupada.
A PNAD é realizada anualmente pelo IBGE com a
finalidade de produzir informações para o estudo do desenvolvimento
socioeconômico do país. Em 2006 foram entrevistadas 410.241 pessoas, em
145.547 domicílios em todo o Brasil.
JOSI SOUSA