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Substâncias

O circo está armado. Há tempo demais. Quando que o Gabeira e o Jungman vão arrumar suas trouxas e ir embora. Não é que eu não goste de dar risada com estes palhaços do planalto, mas seus truques já estão batidos. Truques velhos e sem graça. Comédia pastelão, “Dois Patetas” distribuindo sopapos nos trabalhadores do senado. Que cumpriam serviços e ordens superiores. Superiores até mesmo aos deputados. Que se acharam mais superiores que qualquer um. Os que deviam zelar pela ordem não querem obedecer. Já que estavam perdendo na votação, queriam descontar em alguém. Descontaram no trabalhador. Por que não dava pra bater no presidente do senado e sair ileso. Tinham que bater em quem não poderia revidar, por educação. Por que eu duvido que algum deputado daquele tenha treinamento de combate, treinamento marcial, treinamento pra arrebentar a boca do balão (pra não dizer nomes) e ter apenas que ser desrespeitado calado. Tão fracos e tão folgados. Sorte que os seguranças estavam em horário de serviço, por que eu tomaria um café só pra dar porrada. Mas acho que os deputados tomaram todo o café. Isso sim justificaria suas atitudes com clareza. Estavam sob influencia de substâncias psicoativas. Só pode ser... Não é mesmo?

Ulisses de Abrantes – Rio de Janeiro (RJ)

Massacre

Sangue, destruição, mulheres estupradas, corpos de crianças mutiladas com as mãos cortadas levantadas para o céu pedindo proteção. Oh Sabra e Shatila, vocês estão nos nossos corações. Os criminosos já pegaram suas punições. O que eu contei não é um filme de terror, daqueles que as crianças não podem assistir. Elas mesmas foram as vítimas desse massacre, que aconteceu anos atrás, no dia 16 de setembro. Os responsáveis por esse crime foram castigados, não pela ONU, que sempre ficou ao lado de Israel. Foi o destino que gritou alto. O Hobaika, chefe da milícia que cometeu esse massacre, foi assassinado quando ameaçou revelar tudo depois da denúncia feita contra ele. Enquanto Sharon virou uma estátua para as pessoas aprenderem uma lição importante na vida: Esse é o destino de todos os criminosos. Mas o que me deixa indignado é que esses massacres são esquecidos. Talvez nos países árabes, como Iraque e palestina, onde os israelenses e americanos cometem a cada dia um 11 de setembro, o sangue dos pais e revolucionários foi derramado tanto que ninguém mais acha isso uma novidade. Talvez alguém queira que essas notícias sejam esquecidas. Mas por nós nunca. Ninguém calará nossa voz. Até a morte vamos desafiá-los se preciso for.

Hussein Hussein – Santos (SP)

Mais perto

Será que estamos fadados às informações construídas ao invés das interpretadas? Informações caladamente alteradas em prol de alguns? Usando ideologicamente as tragédias para dar golpes de estado. Na publicidade isso se chama estratégia psicodinâmica de persuasão, usar o seu sentimento para te manipular. Nada demais, isso é prática comum na nova mídia neurolingüística. Contribuições da nova psicologia hipnotrópica. Meu Deus! Isso é doença! Que desespero! Quando essa nuvem que cobre a humanidade vai se dissipar? Quem poderá nos defender? Qualquer um! Se habilite! Pode ser até o lobo mal, desde que sopre com vontade. Com vontade de limpar o céu. Com vontade de ver as estrelas por trás da nuvem. Com vontade de encontrar a verdade. O problema é que nem o lobo mal consegue. Teriam que ser 6 bilhões de lobos uivando e soprando a fumaça que cobre as verdades. 6 bilhões de rebeldes lutando pelo próximo. Não contra, o próximo. Mas se todos lutassem pelo próximo, contra quem lutariam? Se todos lutam por todos? Lutariam contra tudo o que ameaçasse a todos. Eita imprensa podre! Este tipo de informação eles não divulgam. Por que quem ameaça todos são eles mesmos, os nadas. Os ninguéns e outrens da vida, que se divertem jogando ovos e batendo em trabalhadoras num ponto.  Em que ponto? Da vida? Em que ponto chegamos? Ponto na reta? Ponto por ponto? Não, num ponto de ônibus mesmo. Ela só estava esperando o seu ônibus. Mas essa mídia não se dá ao trabalho de lembrar algo assim, “inconveniente”, as “verdades intoleráveis”, como dizia Antonin Artaud. Só lembram o que lhes serve. Carnaval. Copa do Mundo. Escândalos e reescândalos. Mas tudo bem, na novela o mundo é outro. É o mundo de “verdade”. Puro teatro. Mundo de alienados e alienígenas (que dão tantas matérias por aí, alienigenisando todos). Ah! O Zé do Caroço. Trabalha, batalha e malha o preço na feira. Ele só quer ver o bem da favela. Diferente do grande irmão. Que leva todos para a tela. E que malha quem é da favela. Decidi entender ao contrário do que eles me falam, e cheguei mais perto da verdade.

Hilton Santos - São Paulo (SP)

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