Weinglass, advogado dos
cinco heróis cubanos detidos nos EUA, denuncia:
“Os terroristas Bosch e Carriles são amigos íntimos dos Bush”
Advogado de Ellsberg, no
caso conhecido como os Papéis do Pentágono, participou de ato em Washington
pela libertação dos cubanos. Houve manifestações em um total de cinquenta
países
Em debate realizado na
Escola de Direito da Universidade Howard, em Washington, no nono aniversário
da prisão dos cinco anti-terroristas cubanos, Leonard Weinglass, um dos
advogados mais destacados dos Estados Unidos, revelou episódios da história
das íntimas relações entre a família Bush, com um neto do ex-ditador
Fulgêncio Batista, e os terroristas Orlando Bosch e Posada Carriles; e seu
envolvimento em manipulações do Birô Federal de Investigações (FBI) e da
CIA. Weinglass denunciou ainda a forma usada pelo Império para através de
distorções converter cinco jovens que lutavam para impedir atos criminosos
contra sua Pátria numa “ameaça à segurança nacional norte-americana”.
ATENTADO
“Parece um conto, mais
não é. Orlando Bosch, um dos homens culpados, entre outras coisas, de matar
76 pessoas na explosão de um avião da Cubana de Aviação, e que participou em
atentados contra civis, assassinatos e em guerras ilegais clandestinas,
retornou aos Estados Unidos com a pretensão de viver tranquilamente numa de
suas principais cidades e se dedicar a gozar da vida em sua terceira idade,
e ser tratado por seus compatriotas como um herói. Depois de fugir em 1987
de uma prisão venezuelana com a ajuda da criminosa Fundação Nacional Cubano
Americana, FNCA, Bosch foi preso em Miami por violar a liberdade condicional
e por 30 ações de sabotagem. O Departamento de Estado, em 1989, recomendou
ao governo não se permitir o ‘luxo’ de libertá-lo porque o país ficaria
muito exposto, e qualificou oficialmente a Bosch, depois de fazer uma
extensa recapitulação de sua vida adulta, como ‘um dos piores terroristas do
hemisfério ocidental’”, denunciou em sua intervenção o advogado que
participou na defesa de Daniel Ellsberg e Tony Russo detidos após a
conhecida revelação dos Papéis do Pentágono,
durante a Guerra do Vietnã. Foi defensor de alguns dos famosos líderes
dissidentes dos anos 60 e 70, advogado do presidente Jimmy Carter, e agora é
um dos advogados de defesa dos cinco; Gerardo Hernández, Antonio Guerrero,
Ramón Labañino, Fernando González e René González .
“Na época, os amigos de Bosch pediram a colaboração de uma figura que
aspirava a ser governador de Florida, Jeb Bush, que conseguiu um advogado
para cuidar do caso. O presidente de Estados Unidos, Bush pai, descartou a
opinião de seu Departamento de Estado, o indultou e lhe permitiu estabelecer
sua residência legal como homem livre em Miami. Jeb, irmão de George W.,
virou governador da Florida”, prossegue o jurista.
“Poucos anos depois, em 2002, apareceu uma vaga na Suprema Corte da Florida.
O governador lembrou de seu amigo advogado e o postulou ao cargo. Foi
aprovado e agora é membro da Suprema Corte estadual. O nome daquele
advogado, agora juiz, é Raoul Cantero III e é, nem mais nem menos, neto de
Fulgêncio Batista, o ex ditador de Cuba derrubado pela revolução encabeçada
por Fidel Castro”, denunciou Weinglass, acrescentando que Orlando Bosch, o
assassino libertado pelo governo Bush, “hoje caminha tranquilamente pelas
ruas de Miami, é convidado a atos oficiais, e inclusive quando chega o atual
presidente para visitar Miami, está nas primeiras fileiras das festividades.
Também tem se reencontrado em Miami com seu íntimo amigo, Luis Posada
Carriles”, com o qual compartilha a realização dos piores atos terroristas
cometidos na América Latina.
MISSÃO
A missão dos cinco cubanos presos em Miami foi monitorar as
gangues da máfia cubana na Flórida que planejavam e cometiam atos de terror
contra Cuba para informar sobre as sabotagens a seu país, salvando a vida de
inúmeras pessoas.
Quando as autoridades cubanas conclamaram o FBI a analisar a denúncia sobre
atentados terroristas e outras atividades ilegais que se planejavam desde o
interior dos Estados Unidos, Washington decidiu não só não atuar contra
essas agrupações na Florida, como deter aos corajosos cubanos que atuavam
para impedir os crimes.
Os cinco foram presos em 12 de setembro de 1998. Seu julgamento foi
realizado em Miami, centro do poder da máfia cubana, uma cidade controlada
pelas forças e aliados dos Bush, Bosch, Posada Carriles, e veteranos de
operações clandestinas ilegais da CIA.
“O caso dos cinco tem que ser entendido pelos norte-americanos como aquilo
que realmente é: uma história não contada de uma guerra de baixa intensidade
emanando de um país a 90 milhas de distancia. Uma guerra em que mais de 3
mil cubanos morreram e que custou a esse povo milhões em prejuízos
econômicos”, ressaltou.
Embora o caso sempre carecesse de provas reais ou testemunhas, se
transformando num exemplo de arbitrariedade e falsificação, o julgamento foi
realizado em Miami, sem nenhuma possibilidade de um processo imparcial.
Weinglass assinala que os 60 mil cubanos exilados, especialistas em
atividades ilegais, tráfico de drogas, contrabando e extorsões, controlam
quase toda a cidade, desde a prefeitura, a delegacia de polícia, o
escritório local do FBI e os principais meios de comunicação. Os cinco foram
declarados culpados e condenados à prisão perpetua.
O reconhecido advogado informou que três juizes de um tribunal de apelação
federal, pela primeira vez na história legal do país, reverteram uma decisão
de um juiz federal, considerando que em Miami havia condicionantes que
tornavam impossível um julgamento imparcial, e autorizaram um novo processo.
Pouco depois, o ex-procurador-geral Alberto Gonzales (o mesmo que após
comprovado envolvimento em manipulação do judiciário foi forçado a renunciar
na semana passada) ordenou que seus promotores apelassem da decisão dos três
juizes, e com isso conseguiu fazer com que a decisão deles fosse revertida.
Durante a semana passada, em 50 países se realizaram atos, debates, e
iniciativas para exigir a libertação dos cinco cubanos ilegal e injustamente
presos nos EUA.