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Norte-americanos exigem volta das tropas já e o fim da guerra

100 mil pessoas dos mais diversos recantos dos EUA e com forte presença de veteranos de guerra marcharam da Casa Branca até o Congresso, com faixas, cartazes e bandeiras, dando um basta a guerra de Bush e Cheney
 

Com faixas, cartazes e bandeiras, uma multidão marchou da Casa Branca até o Congresso, em Washington, no sábado dia 15, para exigir o “imediato fim” da ocupação do Iraque e a “volta dos soldados” enviados por W. Bush. 100 mil pessoas, vindas dos mais diversos recantos dos Estados Unidos, se manifestaram, no que boa parte da mídia imperial admitiu ser “uma das mais amplas” mobilizações já ocorridas. O ato foi convocado para desmascarar a fraude do general Petraeus no Congresso e para dar vazão ao sentimento do povo norte-americano de que a guerra tem de acabar – e já.

No percurso por dez quarteirões, a manifestação respondia à convocação “o que nós queremos?”, feita pelos organizadores, com “fora com as tropas!”. “Quando nós queremos isso?” – de novo, o coro de 100 mil vozes: “agora!” Num dos momentos mais tocantes, já diante do Congresso, 5 mil veteranos do Iraque e ativistas contra a ocupação conduziram uma cerimônia solene, um “die-in” em memória dos soldados que caíram na agressão ao Iraque e do um milhão de civis iraquianos mortos. Eles se deitaram simbolicamente no chão, em denúncia do morticínio causado por Bush. 

VETERANOS PRESOS

197 veteranos e ativistas foram presos quando tentavam ultrapassar a barreira de policiais e levar a mensagem da manifestação ao Congresso, fechado e cercado. Entre os presos, estavam o coordenador nacional da entidade ANSWER (Act Now to Stop War and End Racism – Aja agora para dar fim à guerra e acabar com o racismo), Brian Becker; os integrantes da entidade “Veteranos do Iraque Contra a Guerra”, Adam Kokesh, Liam Madden, Jeff Millard e Garrett Reppenhagen; a coordenadora do Comitê Nacional pela Libertação dos Cinco Cubanos, Glória La Riva; o coordenador nacional da juventude da Answer, Eugene Puryear; e a ex-coronel do exército dos EUA, Ann Wright. Foi o maior número de presos em uma manifestação contra a guerra, este ano; quatro vezes mais que no ato de janeiro. A repressão policial foi respondida pela multidão, com sinais de vitória e cantos: “vergonha sobre vocês”.

INVASORES

Chamava a atenção a quantidade de veteranos da guerra contra o Iraque que estavam ali, condenando a invasão, e portando seus uniformes de soldado. Um soldado de Oklahoma, Justin Cliburn, disse à “Associated Press”, que “estamos ocupando um povo que não nos quer lá”. Ele acrescentou que sua presença em Washington era “para mostrar que não é só uma meia dúzia de velhos hippies dos anos 60 que estão contra essa guerra”. O veterano Reppenhagen assinalou que “o povo iraquiano não nos vê como uma força de paz; nos vê como invasores e assassinos”. Ele serviu como franco-atirador no Iraque em 2004 e 2005.

Os manifestantes também exigiram o impeachment de Bush, que levou o país à agressão com suas mentiras, e do seu vice e comparsa Cheney. “Fim da guerra agora”, entoou a multidão. Muitos cobraram, do Congresso, o fim das verbas para a agressão. “Nada de dinheiro para a guerra!”. Em seu discurso à multidão, o ex-ministro da Justiça do governo Johnson e advogado de Sadam, Ramsey Clark, afirmou que “nada vai parar essa máquina exceto o impeachment de Bush e sua gangue e a volta das tropas”. Por sua vez, a mãe-símbolo Cindy Sheehan destacou que “que é hora de nos deitarmos na rua para dizer que já basta”. Participaram também do ato o ex-candidato a presidente Ralph Nader; o veterano do Vietnã e escritor Ron Kovic; o Reverendo Grayland Hagler; a Ordem Nacional dos Advogados; a Fundação Muçulmana pela Liberdade da Sociedade Americana; Conselho Nacional dos Árabes Americanos; Movimento Latino USA, Irmandade Nacional Mexicana; Pam África; Familiares e Amigos de Mumia Abu-Jamal; e mais centenas de organizações e personalidades.

VIÚVAS

Arregimentada às pressas pela máfia de Washington, meia dúzia de viúvas de Bush – era mesma uma meia dúzia, embora muito histéricas - encenaram um “ato de apoio à Casa Branca”; por sua vez a mídia imperial, o “New York Times” e o “Washington Post”, encenaram que haveria “duas manifestações” se “confrontando”. A da meia dúzia e a dos 100 mil: sempre em socorro de Bush e sua guerra. Um dos presos no “die-in’ foi o veterano da guerra do Iraque, Geoff Millard, que portava uma bandeira dos EUA. Presidente seccional de Washington da entidade “Veteranos do Iraque Contra a Guerra”, ele conclamou que “é hora do movimento pela paz dar os próximos passos para o protesto e a resistência”. De acordo com os organizadores da marcha, os veteranos da guerra do Iraque “estavam mais envolvidos e mais visíveis” no protesto de sábado do que “em qualquer manifestação semelhante desde que o conflito começou”. 

JUSTIÇA

Ao lado de jovens, havia idosos como Walter Du-charme, de 78 anos, da área de Boston. Ele contou que já havia sido preso em manifestação anterior e que “resolveu que tinha de participar de novo”. A “AP” descreveu a manifestação com “uma atmosfera festiva”, “discursos veementes” e “veteranos do Vietnã batendo papo com veteranos da guerra do Iraque jovens o bastante para serem seus filhos”. “Um homem de chapéu com os dizeres ‘Caubóis que se opõem à guerra’, ao lado de uma mulher usando um hijab (tipo de véu muçulmano) assinalado: ‘impeache Bush/Cheney. Não deixe por menos”. Também pais com grandes fotos dos filhos mortos no Iraque, como Juan Torres Sr, que perdeu seu filho de 25 anos em 2004. Disseram a ele que seu filho teria “se suicidado”, mas ele não acredita e continua “lutando por justiça”. “Não quero ver outras famílias [perderem um filho] como a minha”.

Outra cena descrita pela mídia dos EUA dá bem uma idéia das coisas. Dois débeis mentais de meia-idade gritavam obscenidades para a multidão, acrescentando vez por outra “comunas fora de Washington!” Em frente a eles na multidão, um homem jovem, com roupa de camuflagem e rosto coberto por um lenço, exceto os olhos, silencioso. Olhou para os idiotas, simplesmente assinalando o dizer sobre sua cabeça: “apóie as tropas, acabando com a guerra”. Já anoitecia, e os manifestantes continuavam cantando, “O que nós queremos? Paz!”, diante do Congresso e a poucas quadras da Casa Branca. 

ANTONIO PIMENTA

                                                  

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