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Vice-presidente do Senado rejeita intrigas contra Chávez
“Não tenho por
que duvidar do presidente Hugo Chávez”, disse Tião Viana, ao perceber que
mídia fabricou declarações do presidente venezuelano
Não durou muito a versão montada pela mídia
golpista sobre supostas declarações que teriam sido feitas pelo presidente
da Venezuela, Hugo Chávez, contra o Congresso Nacional, durante o encontro
com Lula, na última quinta-feira, em Manaus. A farsa midiática não resistiu
nem uma semana. Os supostos ataques atribuídos ao líder venezuelano contra
os senadores brasileiros foram desmentidos por ele, em seu programa semanal
de rádio “Alô, presidente”, veiculado no domingo, para toda a Venezuela.
DETALHES
Ele informou no programa que essas “declarações”
simplesmente não existiram. “É falso que eu tenha ido a Manaus para
questionar o governo brasileiro, o Senado, o Congresso, ou as instituições
brasileiras”, ressaltou. “Quando vou ao Brasil é para fazer um
reconhecimento a esse país irmão e ratificar a vontade que temos de nos
unirmos com o Brasil”, acrescentou. Sobre o Congresso e os senadores, Chávez
disse que em nenhum momento falou sobre eles. “Eu nem sequer os mencionei”.
“Podem revisar tudo o que eu disse no Brasil, desde a hora que cheguei até a
hora em que fomos embora”, completou.
Diante dos esclarecimentos feitos pelo
presidente Chávez, o senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado,
que, enganado pelas “notícias” da mídia, havia feito declarações contra o
líder venezuelano, fez um pronunciamento, na segunda-feira, corrigindo suas
afirmações. “Trago à tribuna o registro da mais recente dificuldade de
entendimento entre o Senado Federal e o presidente Hugo Chávez, porque fomos
informados, pela grande imprensa, das declarações supostamente atribuídas a
ele”, disse.
“Antecipo minha alegria de, hoje, ter recebido a
notícia de que o presidente Hugo Chávez, em conversa com a população
venezuelana, no seu programa de rádio, externou a negação de tais afirmações
à imprensa brasileira, dizendo que foi tratado com preconceito e com
manipulação por parte de uma imprensa, segundo ele, que não faz parte do
espírito democrático latino-americano, mas que serve a outros grandes
interesses”, afirmou Viana.
“Nesta segunda-feira”, reafirmou Tião Viana,
“fui informado de que o presidente Chávez deplora a maneira pela qual sua
opinião ganhou manchetes e foi apresentada à opinião pública brasileira”.
“Em momento algum, diz ele, teve a intenção de ofender o Senado Federal.
Debita aos adversários do ingresso da Venezuela no Mercosul a deliberada
deturpação de suas palavras”, frisou o senador petista.
“Diante disso, não me restava, por dever de
justiça, outra atitude, a não ser a de também retirar as duras afirmações
que fiz contra a figura do presidente da Venezuela, Hugo Chávez”,
acrescentou o petista. “Não tenho por que duvidar do presidente Hugo Chávez.
Se ele se apressa em oferecer contorno diferenciado às palavras que lhe
foram atribuídas; se ele reitera seu respeito ao Poder Legislativo
brasileiro, um Poder legitimamente eleito e legalmente constituído, também
me sinto no dever de deixar claro que, em momento algum, tive a intenção de
ofendê-lo”, completou Viana.
“Jamais me opus, como não me oponho agora, ao
efetivo e pleno ingresso da Venezuela no Mercosul. Acredito que o peso
econômico desse país-irmão, sustentado, sobretudo, pelas grandes reservas
petrolíferas de que dispõe, poderá oferecer novo impulso para a dinamização
do mercado comum que, há quase duas décadas, esforçamo-nos por erigir em
nossa América meridional”, acrescentou.
O senador lembrou que sempre apoiou a integração
sul-americana e que “estive com Chávez e com a maioria do povo venezuelano,
quando, pela força do golpismo mais abjeto, tentaram apeá-lo do poder para o
qual fora legitimamente eleito”.
Não foi apenas Viana, mas até mesmo o
experimentado presidente do PMDB, Michel Temer, que se deixou confundir pelo
noticiário da mídia - e anunciou que iria fazer uma representação contra
Chávez.
O desmentido de Chávez e o pronunciamento de
Viana representaram uma ducha de água fria no alvoroço que a oposição
direitista, encabeçada pelos tucanos e demos, vinha fazendo para tentar
impedir a entrada da Venezuela no Mercosul. A nota divulgada pelo PSDB,
dizendo que “se depender do partido, a Venezuela de Chávez não terá ingresso
aprovado”, caiu no vazio. Por sua vez, Heráclito Fortes (Demo-RN), falou
para as paredes ao cavalgar a farsa para dizer que “a omissão de Lula é
preocupante”. Álvaro Dias, conhecido por não resistir à tentação de um
refletor, também se assanhou e saiu defendendo que “moderno” é a sujeição
aos ditames de Washington. “É ultrapassada a iniciativa do venezuelano de
atacar a política norte-americana”, disse ele.
Em seu programa de rádio, Chávez disse que os
parlamentares brasileiros estavam, na verdade, protestando contra uma
mentira. “Eles estão respondendo sobre uma falsidade”, disse o líder
venezuelano. “Alguns meios de comunicação brasileiros fazem isso para
minimizar os importantes avanços que conquistamos nesta reunião”.
Chávez informou que além da refinaria de
Pernambuco e a exploração conjunta do petróleo na região do Orinoco, que
serão feitas em parceria pela PDVSA e a Petrobrás, também foi discutido, no
encontro com Lula, o tema da construção do Gasoduto do Sul.
AVANÇOS
Em seu pronunciamento, após a reunião, Lula
também comemorou os avanços obtidos no encontro e ressaltou que “é preciso
avançar mais”. “Brasil e Venezuela ratificam compromissos assumidos há algum
tempo, e que por problemas técnicos andaram mais devagar do que Chávez e eu
gostaríamos”, afirmou.
O presidente Lula também reiterou o interesse
brasileiro pelo Banco do Sul, que, em sua opinião, deve servir pra financiar
projetos de investimentos na região.
Ele ressaltou ainda que não há divergências com
Chávez: “Em política quando dois dirigentes passam muito tempo sem se
encontrar, começam a surgir uma série de insinuações. As pessoas começam a
falar em divergência, em disputa de liderança, e em uma série de coisas que
eu tenho consciência que não passam pela cabeça do Chávez e nem pela minha
cabeça”, completou o presidente Lula.
SÉRGIO CRUZ
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