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Ciro: “É contra CPMF quem quer acabar com o Bolsa
Família”
“Criticar a CPMF é assunto de quem não quer pagar imposto para que o
povo perca o Bolsa Família. Se acabar a CPMF, acaba o Bolsa Família.
Isso é o que eles querem e não têm coragem de dizer”, afirmou o deputado
federal Ciro Gomes (PSB/CE), defendendo a aprovação da emenda que
prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira)
em palestra na Assembléia Legislativa do Piauí, na sexta-feira (21). O
deputado destacou que o fim da CPMF pode ocasionar recessão e contribuir
para o aumento da inflação.
O
deputado Eduardo Valverde (PT/RO), também frisou a importância da CPMF
para a continuidade dos programas sociais. Ele ressaltou que sem a CPMF
serão perdidos 80% de recursos para financiamento do Sistema Único de
Saúde, 100% para o Bolsa Família e para a cesta da Conab, que
possibilita ofertar alimentos a asilos, creches, escolas e hospitais. “A
CPMF visa os mais carentes, e por essa razão ela se justifica. Concordo
que nenhum tributo é bem visto, seria melhor se não houvesse, mas como o
Estado financiaria os programas das populações empobrecidas?”,
questionou.
PRORROGAÇÃO
Na
votação no plenário da Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB/DF)
argumentou que “qualquer pessoa de responsabilidade neste país sabe que
não podemos retirar 38 bilhões de reais da saúde, da Previdência e dos
programas sociais”. O partido, com uma bancada de 30 deputados, fechou
questão a favor da prorrogação. Para o deputado Luciano Castro (PR/RR),
além do seu caráter fiscalizador - permite rastrear sonegadores através
dos dados do imposto - a CPMF “é o imposto mais justo e mais democrático,
pois paga mais quem ganha mais, paga menos quem ganha menos”.
O líder
do PT, deputado Luiz Sérgio (RJ), lembrou a importância do tributo para
sustentar o crescimento econômico: “Decidiremos nesta noite se
garantiremos ao governo e ao país uma política que tem permitido a
geração de emprego e renda, que tem assegurado a diminuição das grandes
desigualdades sociais no Brasil, se garantiremos ou não o PAC, um
projeto de nação que promove integração e, acima de tudo, investe em
setores essenciais, para garantir o processo de crescimento da infra-estrutura”.
Henrique
Eduardo Alves, líder do PMDB, sublinhou que o partido, após ouvir todos
os segmentos da bancada, decidiu recomendar aos deputados que votassem
pela aprovação da proposta. “Estamos confiantes de que daremos nosso
voto de modo profundamente consciente”, disse. “Estamos votando um
imposto cobrado dos que podem, para servir aos que não podem. É um
imposto puro, ao qual sonegador não tem acesso. Foi dirigido aos pobres,
mas não foi criado neste governo, e, sim, no anterior. Mesmo assim, foi
respeitado. Homens ilustres aqui hoje defendem esse imposto com
entusiasmo e nos pedem para votar a favor da CPMF em prol do Brasil”,
completou o líder do governo, José Múcio Monteiro (PTB/PE).
CONCLUSÃO DA VOTAÇÃO
A
Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados concluiu, na tarde
desta segunda-feira, o trabalho de análise das emendas e destaques
apresentados ao texto aprovado em plenário na semana passada e conseguiu
reduzir o número de emendas de emendas 65 para 33. Os dez destaques
foram mantidos, embora seis possam ser retirados pelos autores para
acelerar a conclusão da votação em primeiro turno da CPMF.
O
presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, condenou o grande número de
emendas apresentadas, afirmando que elas tinham como objetivo travar o
processo de votação. “Estão, na verdade, contribuindo para um processo
de obstrução. O que é, de certa maneira, uma radicalização na obstrução”,
disse, classificando como nada usual esse processo. Segundo os
consultores da Mesa, a redução no número foi possível porque, na
avaliação dos termos constitucionais e eventuais equívocos, foram
retiradas de pauta as emendas repetidas ou que continham erros.
O PSDB,
por exemplo, apresentou uma emenda sugerindo o fim da cobrança da CPMF,
mantendo o texto atual da Constituição que determina a suspensão da
cobrança da contribuição depois do dia 31 de dezembro, o que já foi
derrotado pelos deputados que aprovaram o substitutivo do relator votado
em plenário.
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