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“Mensalão” foi cortina de fumaça para encobrir o tucanoduto abarrotado com dinheiro público
É muito bom que eles sejam forçados a admitir, ainda que por um oportunismo nauseante, que a hipótese do “mensalão do PT”, exaustivamente testada pela mídia golpista, e com a qual tucanos e ex-pefelistas comprometeram o último vestígio de sua raquítica credibilidade, possa não ser verdadeira. De fato, não é. O caixa 2 - “recursos não contabilizados” - organizado pelo ex-tesoureiro do PT, que assumiu responsabilidade integral pelo fato, não se destinava a pagar deputados para que votassem com o governo. A mídia procurou fazer crer que fosse, por duas razões singelas: para legitimar o uso da sugestiva expressão “mensalão” em sua cruzada anti-Lula, e por considerar que vincular o caixa 2 à campanha eleitoral do presidente não colaria, não daria Ibope e não configuraria um delito capaz de justificar o seu afastamento.
Aquele caixa 2, criado depois da campanha de Lula, seguiu a norma tolerada e praticada por todos os aspirantes a cargos eleitorais no Brasil, guardadas as devidas e indevidas exceções: “despesas não declaradas” pagas com “recursos não contabilizados” obtidos através de doações privadas. A eleição de Azeredo em 1998 é um caso típico de exceção indevida. Conforme demonstra o relatório da Polícia Federal, o seu caixa 2 estava abarrotado de dinheiro público, criminosamente desviado para esse fim. O relatório mostra também, de forma inequívoca e com minúcia de detalhes, a responsabilidade direta do então governador de Minas - ele próprio - no assalto perpetrado contra o erário. Azeredo foi pego com a boca na botija, a partir de uma acusação, comprovada e ampliada pela investigação da Polícia Federal, que partiu do próprio operador do esquema, o sr. Cláudio Mourão. Queixoso por ter recebido um calote de Azeredo, Mourão abriu o jogo e apresentou parte dos documentos. Não há como escapar dessas evidências. O que resta ver é se o senador mineiro vai para a forca sozinho ou se subirá os degraus do patíbulo acompanhado de elementos da alta cúpula tucana, que ele sem maiores sutilezas já ameaçou entregar, caso se sinta abandonado. Os punhais estão desembainhados nos arraiais tucanos. Para evitar o derramamento de sangue, a base governista até poderia examinar a proposta de trocar a impunidade de Azeredo por um refresco para o presidente Lula. Os tucanos parariam de acusar o presidente daquilo que ele não fez e a base relevaria os malfeitos de Azeredo. Afinal, um salafrário a mais ou a menos não é o que faz a diferença na situação do Brasil. O problema é que os tucanos não estão dispostos a cumprir a sua parte nesse acordo humanitário. E Azeredo, se não sabe, desconfia. S.R. |