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Em reunião com José Aznar, Bush revelou a chantagem usada para invadir o Iraque 

“No Conselho de Segurança temos os três africanos [Camarões, Angola e Guiné], os chilenos e os mexicanos. Falarei com todos eles, também com Putin, naturalmente.  Estaremos em Bagdá no final de março”, disse Bush, na reunião realizada em 22 de fevereiro de 2003, revelando a data já decidida de invasão do Iraque.
Ainda sobre a votação e sem a preocupação de esconder a chantagem, Bush comentou que “Lagos [presidente do Chile] deve saber que o Acordo de Livre Comércio está pendente de confirmação no Senado e que uma atitude negativa dele o poria em perigo”.
A seguir, considerou que “Angola está recebendo fundos do Millenium Account e também poderiam ficar comprometidos se não se mostram positivos”.
No encontro os dois conversam sobre a forma de organizar uma força multinacional para eliminar o presidente iraquiano, Sadam Hussein.
“Chegou o momento de nos desfazermos de Sadam”, comunicou Bush ao serviçal Aznar, semanas antes de invadir o Iraque. “Dizimaremos as tropas leais”, acrescentou.
Aznar ponderou que era “muito importante contar com uma resolução. Não é a mesma coisa atuar com ela ou sem ela. Seria muito conveniente contar no Conselho de Segurança da ONU com uma maioria que apóie essa resolução. De fato, é mais importante contar com maioria que registrar um veto”. Mas Bush avisou que invadiria Bagdá com o sem resolução da ONU.

                                                         SUTIL 

“Sadam Hussein não vai mudar e continuará jogando. Chegou o momento de desfazer-nos dele. É assim. Eu, por minha parte, procurarei a partir de agora utilizar uma retórica o mais sutil possível, enquanto buscamos a aprovação da resolução”, assinalou Bush a Aznar no seu sítio de Texas, articulando a intervenção no CS. “Gostaríamos que fosse anunciada na segunda ou na terça [24 ou 25 de fevereiro de 2003]”, acrescentou.
A secretária de Estado norte-americana, Condolezza Rice, também presente na confabulação, explicou a Aznar que “estamos pensando numa resolução tão simples como seja possível, sem muitos detalhes de cumprimento que possam servir para que Sadam Hussein os utilize como etapas e consequentemente descumpri-las”.
Mesmo “se alguém veta, nós iremos”, determinou Bush em referência ao poder de veto que compartilham a Rússia, França e China, junto com os Estados Unidos e o Reino Unido, no CS, deixando claro que os procedimentos em discussão eram para ele uma formalidade.
Quanto à resolução, que estava empurrando para Aznar apresentar, o presidente norte-americano ressaltou que “estará feita à medida daquilo que possa te ajudar [como se isso fosse possível]. O conteúdo não me interessa”.O chefe de governo espanhol, sentindo a barra que lhe esperava, com milhões de pessoas nas ruas contra sua submissão, barganhou com Bush “ajuda com a nossa opinião pública. O que estamos fazendo é uma mudança muito profunda para a Espanha e para os espanhóis. Estamos mudando a política que o país tinha seguido nos últimos 200 anos”. Admirador de Francisco Franco, Aznar preferiu nessa hora pular esse período histórico, condenado pela maioria dos seus compatriotas.
Finalmente, Aznar comentou a Bush que seu aliado, o ex-premiê inglês, Tony Blair, pensava numa data posterior à cogitada por Washington para invadir o Iraque, ao que o chefe da Casa Branca respondeu: “eu prefiro o 10 (de março). Isto é como o jogo de policial mau e policial bom. A mim não me importa ser o policial mau e que Blair seja o bom”.

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