|
Antonio Neto, presidente da CGTB:
“Tucanos querem
alienar o que resta de estatal em SP”
“O que está em jogo não é simplesmente a transferência do patrimônio do
setor público para o privado, e sim a eliminação de instrumentos vitais
de nosso progresso, de nossos empregos e de nossa soberania”, afirmou
Neto
“Privatizar o que
ainda resta de estatal no governo de São Paulo - boa parte já foi
entregue à iniciativa privada pelas sucessivas administrações tucanas -
é a decisão do governador José Serra, que pediu ao Banco Fator uma
avaliação das empresas públicas estaduais, ”, afirmou Antonio Neto,
presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e
vice-presidente da Federação Sindical Mundial (FSM). No final de 2007, o
Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização aprovou a
alienação da CESP, que havia sido negada pelo governador.
Neto lembrou que
“esse ciclo privatista dos tucanos iniciou-se em 1991 com a implantação
do Plano Estadual de Desestatização (PED), sendo que a última empresa
pública a ser entregue foi a Cteep (transmissão de energia), em junho do
ano passado”. “Ao longo desse desastroso período, as privatizações
representaram desemprego em massa, precarização dos serviços públicos
prestados à população e a redução drástica da capacidade de
investimentos por parte do Estado”, denunciou.
“Fazem parte do
pacote de empreses que estão na mira de serem entregues para o setor
privado a CESP (energia elétrica), Nossa Caixa (crédito imobiliário,
crédito rural etc.), Sabesp (saneamento básico a abastecimento de água),
Metrô (transporte), CDHU (habitação), CPTM (transporte), Dersa
(construção, fiscalização e administração de estradas), EMAE (energia),
Cosesp (seguros), Cetesb (saneamento ambiental), Prodesp (processamento
de dados), EMTU (transporte) e até a Imprensa Oficial (gráfica)”,
apontou o presidente da CGTB.
Neto alertou que “o
Banco Fator é o mesmo, junto com a Booz-Allen, que estabeleceram o preço
mínimo de R$ 1,85 bilhão para a entrega do Banespa, quando na época (em
2002) contava com um patrimônio líquido avalizado em mais de R$ 11
bilhões, fora o lucro do ano que era estimado em R$ 1 bilhão. Já para
fazer à dita ‘modalidade’ de ‘venda’ das estatais paulista foram
pré-qualificados o Citi, o consórcio JP Morgan/Fator e o Merril Linch,
responsável pelo edital de privatização da Companhia Vale do Rio Doce,
no qual simplesmente não foram levados em conta as riquezas minerais –
ferro, nióbio, bauxita, ouro e um complexo empresarial que englobava 54
empresas”.
Para dar continuidade
ao processo danoso de privatização, Neto alertou que “os tucanos
tentarão prejudicar o governo Lula, utilizando-se da concessão das
rodovias federais. Mas a realidade conspira flagrantemente contra eles,
pois o modelo utilizado na área federal, longe de representar uma
privatização, estará permitindo a cobrança de tarifas reduzidas de
pedágios, bem ao contrário do que acontece em nosso Estado desde que os
tucanos espalharam os seus verdadeiros caça-níqueis em praticamente em
todas as rodovias estaduais”.
DIFERENÇAS
“A diferença entre
as concessões federais e as que ocorrem sob o governo do PSDB é
gritante. Apenas para citar um exemplo, basta dizer que, em se tratando
de tarifas dos pedágios, de acordo com o levantamento feito pala
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, o custo médio
dos pedágios no sistema Anhanguera/Bandeirantes, que liga a capital ao
interior é de R$ 0,12 por quilômetro rodado. Já os valores apresentados
pelas concessionárias das rodovias federais ficaram em R$ 0,02 por
quilômetro”, ressaltou o presidente da CGTB, sublinhando que assim,
“mais uma vez o Estado encontra-se ameaçado em sua capacidade de
desempenhar, minimamente, o seu papel de propulsor do desenvolvimento,
distanciando-se, ainda mais, do papel que cumpriu até o final dos anos
80, quando, em sua esteira, permitiu o surgimento e o fortalecimento de
inúmeros segmentos privados”.
“Diante dessa
situação não nos resta outra alternativa senão promover uma ampla
mobilização de todos os segmentos identificados com o desenvolvimento de
São Paulo, em defesa de nosso Estado, pois o que está em jogo, mais uma
vez, não é simplesmente a transferência do patrimônio do setor público
para o privado, e sim a eliminação de instrumentos vitais de nosso
progresso, de nossos empregos e de nossa soberania”, completou Neto.
|