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Filpo Nunes, o
folclórico
ARIOVALDO IZAC *
No
dia 15 de janeiro de 1966, XV de Piracicaba e Portuguesa Santista foram ao
Estádio do Morumbi para jogar exatos três minutos de futebol com portões
fechados ao público, em partida do Paulistão do ano anterior, conforme
determinação do antigo CND (Conselho Nacional de Desportos).
A
decisão do então órgão normativo foi decorrente de partida inacabada entre
ambos, com resultado de 1 a 1, no dia 3 de novembro de 1965, no Estádio
Barão de Serra Negra, em Piracicaba (SP), porque a torcida local invadiu o
gramado. E, sem segurança, o time de Santos - também conhecido como “Briosa”
- refugiou no vestiário visitante e resistiu ao prosseguimento do jogo,
mesmo com insistência do árbitro José Astolphi, após contornar a situação. E
com a complementação do tempo sem alteração no placar, o “Nho Quim” foi
rebaixado à segunda divisão.
Por
que o relato desse fato? Por dois motivos fundamentais. Primeiro o disparate
do CND em determinar o deslocamento dos clubes para um campo neutro, a fim
de que jogassem três minutos. Depois, a constatação que o técnico argentino
Nelson Ernesto Filpo Nunes, no comando do XV, começaria a fase decadente no
futebol. Ele trabalhou na maioria dos Estados brasileiros, inclusive com boa
passagem pelo Vasco em 1960, com vitoriosa excursão pelo Nordeste. Filpo
morreu em março de 1999.
DOM
FILPO
Na
década de 50, quando aportou em Santos, o treinador foi identificado como
Dom Filpo ao salvar o Jabaquara do rebaixamento em 1957, ano em que o time
venceu o Santos de virada por 2 a 1.
Em
1959, já na Briosa, Filpo, um bom marqueteiro, soube capitalizar após
invencibilidade de 15 partidas, em excursão por Angola e Moçambique, países
africanos. Pode-se dizer que aí começou sua ascensão no futebol, até que em
1964 foi contratado pelo Palmeiras, que tinha um timaço, culminando com o
batismo de “academia do futebol” no ano seguinte.
A
equipe era tão respeitada a ponto de a antiga CBD (Confederação Brasileira
de Desportos) requisitá-la para representar a Seleção Brasileira na
inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, no dia 7 de setembro de
1965, em partida amistosa contra o Uruguai. E foi show de bola dos
palmeirenses, com goleada por 3 a 0, gols de Tupãzinho, Rinaldo e Germano,
num time formado por Valdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias,
Valdemar Carabina (Procópio) e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Ademir da Guia;
Julinho (Germano), Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera) e Rinaldo (Dario). O
jogo foi visto por 96.669 pessoas.
Com
essa recomendável passagem, Filpo ganhou apelido de “El Bandaneon”, deixou
as portas abertas no Palmeiras, e, numa das voltas, em jogo contra o
Náutico, em Recife, com gramado encharcado, justificou a conotação de
técnico folclórico.
GARGALHADAS
Após o atacante César ter perdido um pênalti, transtornado, invadiu o
gramado, colocou a bola na marca de pênalti com a intenção de mostrar ao
jogador como converter a cobrança. Só que ao correr para bola escorregou,
caiu, e o estádio “caiu” em gargalhadas.
Antigos palmeirenses reconheceram méritos de Filpo Nunes para motivar
jogadores. A rigor, por isso era sempre requisitado para comandar clubes em
crise. Com boa psicologia, sabia injetar vibração ao grupo e extraía bons
resultados no começo do trabalho. Posteriormente caía na rotina.
* É
jornalista em Campinas e colaborador do HP |