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Chávez convoca
empresários e classe média a participarem do projeto nacional:
“Vamos
aprofundar as mudanças e a unidade dos venezuelanos”
“A classe média do país é favorecida com o desenvolvimento independente e é
amiga do nosso processo”, afirmou o presidente
“Devemos
unir a Venezuela para aprofundar as mudanças. Temos que atrair os empresários
nacionalistas, os produtores, as classes medias; não podemos deixar que a
contra-revolução confunda esses setores”, afirmou o presidente venezuelano Hugo
Chávez, na edição 299 do programa Alô Presidente, transmitido desde o estado de
Miranda, no domingo passado.
“A classe média
é amiga deste processo, elas se favorecem com o desenvolvimento independente do
país, temos que trabalhar juntos também com a burguesia nacional que esteja
disposta, não a fazer a revolução, mas a fazer um país, uma Pátria. A nossa
revolução mantêm os espaços que já ocupou e deve conquistar outros novos, isso
representa um novo impulso nas mudanças”, assinalou.
O presidente,
acompanhado pelo ministério reformulado na semana passada, convocou à rápida
consolidação do Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV. “No próximo dia 12
será o congresso de fundação do partido, que está sendo coordenado por Jorge
Rodríguez. Ele deixa a vice-presidência para se dedicar a isso exclusivamente e
Ramón Carrizalez, que o substitui, vai assumir as tarefas do governo”, ressaltou.
PÓLO PATRIÓTICO
Chávez indicou a
importância de rearticular o Pólo Patriótico em aliança com partidos como Pátria
Para Todos, PPT, e Comunista da Venezuela, PCV, para as eleições regionais deste
ano e para a organização dos programas sociais. “O PPT está junto com o governo
de Hugo Chávez para o conjunto de tarefas que a revolução exige. Sabemos que não
temos pela frente um inimigo fraco, as mudanças só são possíveis com unidade”,
declarou o seu secretário-geral, José Albornoz.
Referindo-se ao
trabalho que o governo deve realizar depois do resultado adverso do referendo de
2 de dezembro último, o presidente disse que “minha mente nunca vai frear, mas a
realidade deve ser aceita. Continuamos com o rumo, continuamos impulsionando um
processo revolucionário, mas não podemos ir à velocidade que aspirávamos com a
reforma. Eu prefiro reduzir a velocidade, fortalecer as pernas, os braços, a
mente, o corpo, a organização popular e o poder popular. E quando estejamos
prontos, mais adiante, então acelerar a marcha”.
Chávez lembrou
que lhe restam 5 anos no governo e que os aproveitará até o último dia. “Já não
há a possibilidade de que Chávez fique além de 10 de janeiro de 2013. Detalhemos
a perspectiva. Desen-volvamo-la”, frisou, convocando a equipe de governo, os
movimentos sociais e as lideranças populares a “usar ao máximo o tempo
disponível. Eu não me considero imprescindível, mas há uma série de elementos
que dizem que necessitamos que haja continuidade no mando revolucionário para
além de 2012, que está muito próximo”.
No programa,
Chávez traçou uma série de medidas que seu governo aplicará este ano: “O
aprofundamento da organização e da consciência popular, vital para realizar as
mudanças necessárias para consolidar o processo revolucionário; a reestruturação
do governo: vai além de mudanças de ministros, vamos fazer uma reestruturação
das dinâmicas, das formas, da estrutura do conselho de ministros e de sua
relação com governos regionais e locais, de seus fundos e seus métodos;
continuar com o Projeto Nacional Simon Bolívar de desenvolvimento econômico e
social da Nação, que estabelece sete grandes diretrizes estratégicas a largo
prazo:
A nova ética
socialista: um corrupto ou um ladrão não pode formar parte do processo
revolucionário.
A suprema
felicidade social: conseguir a justiça social. É necessário relançar as
‘missões’ de educação, saúde, habitação.
A democracia
protagônica revolucionária: o poder popular, os conselhos comunais, os auto-governos.
MODELO PRODUTIVO
O modelo
produtivo socialista: criação de unidades produtivas comunais e sociais,
despertar e transferência de poder produtivo às comunidades. O Ministério para a
Economia Comunal e o Ministério para a Participação Social devem se coordenar
neste trabalho. Não se exclui a propriedade privada.
A nova
geopolítica nacional: Venezuela como potência energética mundial”.
O presidente
elogiou o processo de reconversão monetária que entrou em vigor em todo o país o
passado primeiro de janeiro, e disse que, entre os objetivos priori-zados da
revolução, se encontra a luta contra a insegurança, o desabas-tecimento e a
inflação, problemas que chamou a enfrentar com firmeza (ver matéria nesta página).
A moeda nacional, o Bolívar, perdeu três zeros, facilitando as operações
comerciais. “É uma medida que só podia ser tomada quando superação da cultura
inflacionária fosse uma realidade”, disse Rafael Isea, novo ministro de Finanças.
SUSANA SANTOS
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