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Presidente do Quênia convoca “reconciliação
nacional” e convida a oposição Laranja
O governo do presidente Mwai Kibaki anunciou ter
convidado o chefe do “Movimento dos Laranjas Democráticos”, Raila Odinga, e
mais cinco dirigentes oposicionistas para um encontro na sexta-feira dia 11
para “dar fim à violência no país, consolidar a paz e a reconciliação
nacional”. Quase 500 pessoas foram mortas e centenas de milhares expulsas de
seus lares na onda de violência deflagrada pelo “Movimento Laranja”, após a
justiça eleitoral do Quênia ter declarado Kibaki reeleito por estreita
margem. Nas províncias ocidentais do país, reduto de Odinga, igrejas e lares
foram queimados com gente dentro – muitas delas crianças e mulheres. O
governo convocou, também, o novo parlamento eleito a tomar posse no dia 15,
como parte dos esforços para a reconciliação.
O presidente Kibaki afirmou, ainda, estar
“pronto para formar um governo de união nacional que não apenas uniria os
quenianos, mas também ajudaria no processo de cicatrização das feridas e de
reconciliação”. Odinga se viu forçado a anunciar o cancelamento da “marcha
de 1 milhão de pessoas” em Nairobi, tanto pela falta de quórum, quanto pelo
isolamento gerado pela limpeza étnica que desencadeou. A Conferência da ONU
sobre a Região dos Grandes Lagos afirmou que as mortes constituíam “limpeza
étnica e genocídio”.
John Kufuor, presidente de Gana, e atual
presidente em exercício da União Africana – que reúne todos os países do
continente – irá a Nairobi para ajudar nas imprescindíveis negociações. De
acordo com o jornal inglês “Guardian”, Kufuor já havia se prontificado a ir
ao Quênia na semana passada, mas Odinga recusou qualquer negociação com
Kibaki e só admitia sua renúncia. O governo reiterou sua rejeição à
“mediação internacional” pedida por Odinga, isto é, a ingerência de
Washington e Londres em favor dos laranjas. A crise deve ser “resolvida
internamente”, afirmou o porta-voz Alfred Mutua. Entre os quenianos e com a
ajuda dos povos africanos irmãos.
Como de costume, a mídia imperial transformou a
crise vivida no Quênia em um “problema tribal” entre os “privilegiados
Kikuius” – a expressão é do “New York Times” - e as “demais etnias”. Como se
a herança maldita colonial e imposição do receituário do FMI e privatizações
nos anos recentes não tivesse nada a ver com a crise atual.
Essa mesma mídia também atribuiu o morticínio à
polícia, até que a queima de igrejas, casas, lojas e fazendas em Kisumu,
terceira maior cidade do país, sob descontrole “oposicionista”, tornaram
insustentável a tese. Um assessor de Odinga explicou a limpeza étnica com
cinismo à agência Reuters: “ninguém quer derramar sangue, mas existem
atalhos para a democracia”.
Foram os “privilegiados Kikuius” que encabeçaram
a insurreição Mau Mau nos anos 50, que durou dez anos, e que conduziu, mais
tarde, à conquista da independência do país em 1963 e à vitória nas
primeiras eleições através do KANU – a frente pela independência que uniu
todos os quenianos sob a liderança de Jomo Kenyatta. O exclusivismo dos
“kikuius” insinuado não existe. Tanto assim que o ex-presidente Daniel Arap
Moi, que sucedeu o patriarca Kenyatta, não é kikuiu.
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