Bazani e Sadi, dois ídolos
ARIOVALDO IZAC *
Preferencialmente
a coluna homenageia ídolos do passado em vida, como ocorreu recentemente com
o volante Édson Cegonha, que jogou no Corinthians, São Paulo e Palmeiras
entre as décadas de 60 e 70. Claro que em casos de morte de alguns deles é
feito mais que um registro. É escancarado um espaço para se contar um pouco
das características deles e são citadas algumas curiosidades fora de campo.
Pois é, de
certo o leitor não observou ano passado o registro de uma linha sequer sobre
a morte do meia Olivério Bazani Filho, o maior ídolo de todos os tempos da
Ferroviária de Araraquara (SP), e com discreta passagem pelo Corinthians.
Também, por incontáveis vezes, foi adiado o texto sobre o lateral-esquerdo
Sadi, do Inter (RS) – vivo e com saúde -, que também teve discreta passagem
pelo Corinthians.
SAUDADE
Bazani
morreu em 2007 e deixou saudade. Ele formou, nos anos 60, uma lendária dupla
de meio-de-campo com Olegário Tolói de Oliveira, o Dudu, e posteriormente
com o atual preparador físico Bebeto de Oliveira, que nos tempos de jogador
tinha um fôlego privilegiado para a marcação.
Em meados
da década de 80, quando desempenhava as funções de supervisor da
Ferroviária, Bazani contou, após suas costumeiras peladas, que, certa
ocasião, Bebeto quis extrapolar a função de marcador e ousou organizar as
jogadas de ataque, fato que resultou na imediata repreensão do meia.
- Bebeto,
você corre, desarma e me entrega a bola. Deixa que eu penso, disse o meia,
na ocasião.
Nos tempos
em que jogador de futebol fazia da bola o seu único ganha pão, Bazani já
fazia questão de ser diferente. Formou-se em odontologia e dedicou parte do
tempo em consultório, cuidando de dentes de araraquarenses. Talvez por isso
recusou convites de grande clubes de outros Estados em vantajosas
transferências, porque tinha intenção de conciliar as funções.
LATERAL
Quando ao
lateral Schwerdt Sadi, hoje está careca, barbudo, e é comentarista de
futebol da Rádio Pampa, em Porto Alegre. Nascido em 15 de dezembro de 1942,
em Arroio dos Patos, foi tido como um dos melhores marcadores do país e por
isso chegou à Seleção Brasileira em 1968, quando era raríssimo atletas fora
do eixo Rio-São Paulo-Minas chegarem ao selecionado. Também teve rápida
passagem pelo Corinthians em 1971, indicado pelo técnico Francisco Sarno. O
retrospecto de apenas dez partidas apontou cinco vitórias, três empates e
duas derrotas Na ocasião, amargurou contusões e reserva.
Sadi foi
mais um caso de jogador consagrado em um clube que acabou não repetindo o
futebol após a transferência. Bobô, do Bahia, na década de 80, é o maior
espelho de jogador que ao mudar de Estado não repetiu o eficiente futebol.
No São Paulo jamais justificou o investimento feito pelos dirigentes.
Nesta
arrancada de 2008, a coluna renova os votos de um ano com saúde e paz aos
leitores. E obrigado pela companhia em 2007.
* É jornalista em Campinas e colaborador do HP