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João Felício, secretário Sindical Nacional do PT:
“Imprensa conservadora virou um partido do retrocesso neoliberal”
“A
fim de que seja aplicada a agenda derrotada nas eleições, ela pressiona
permanentemente, querendo fazer a roda da história girar para trás com
privatizações e perda de direitos”, afirmou
“Em
nosso país há uma imprensa conservadora que se posiciona como partido político,
disputando permanentemente para que seja aplicada a agenda neoliberal, derrotada
nas eleições. Volta e meia ela pressiona por retrocessos, querendo fazer a roda
da história girar para trás, com privatizações e perda de direitos sociais e
trabalhistas”, afirmou o secretário Sindical Nacional do PT e secretário de
Relações Internacionais da CUT, João Felício, em entrevista ao HP.
Na avaliação do dirigente, “falta um enfrentamento
ideológico mais ousado contra a propaganda da direita, que tem inúmeros
instrumentos à sua disposição para pressionar por suas bandeiras, como foi no
caso da CPMF”. As iniciativas de democratização da mídia, analisa, “ainda são
extremamente tímidas diante de meios que desinformam, manipulam e não dão vez
nem voz ao contraditório”.
João Felício elogiou a ação da Coordenação dos Movimentos
Sociais (CMS) como “fundamental” para dar visibilidade à luta pela
democratização dos meios de comunicação: “a Campanha Concessões de Rádio e TV,
Quem Manda é Você, a qual nos somamos, defende critérios que possibilitem um
controle social das concessões públicas. Nos posicionamos também em favor de uma
Conferência Nacional de Comunicação, para alastrar e enraizar o debate sobre a
democratização dos meios, cada vez mais concentrados nas mãos de poucas
famílias”.
MANIPULAÇÃO
Exemplo de falta de compromisso de setores da mídia com a
veracidade dos fatos, citou, foi a cobertura da 4ª Marcha da Classe
Trabalhadora, realizada no dia 5 de dezembro na capital federal. “A Marcha
coroou um amplo processo de mobilização realizado pelo sindicalismo em 2007. Com
40 mil manifestantes, a nossa maior Marcha demonstrou o amadurecimento do
movimento sindical brasileiro, representado pelas suas centrais sindicais, que
colocaram a identidade de classe em primeiro lugar, secundarizando divergências
pontuais e priorizando o que é essencial. A construção de uma pauta unitária em
defesa da redução da jornada de trabalho, de mais e melhores empregos, do
fortalecimento da Seguridade Social e das políticas públicas contribuiu para
fortalecer a pressão desde a base e ampliar o diálogo com a sociedade, mas foi
praticamente ignorada pela chamada grande imprensa”. Os motivos do
desaparecimento do noticiário de ações tão cruciais para a vida política
nacional é facilmente explicado: “Com maior representatividade, os trabalhadores
têm o seu poder de fogo potencializado na hora da negociação com os empresários,
parlamentares e governos”. Ao lembrar que as conquistas são resultado do acúmulo
de forças, Felício resgatou “o estímulo dado pelas três primeiras Marchas que,
ao garantir uma política de valorização do salário mínimo, possibilitaram o
maior índice de reajuste dos últimos 20 anos. Esta experiência, além de impactar
positivamente no poder de compra, incide também sobre o inconsciente coletivo,
fomentando novas ações em defesa da melhoria das condições de vida e trabalho”.
DESINFORMAÇÃO
No anoitecer do dia 5, declarou, sem que as pessoas fossem
minimamente informadas sobre assuntos que lhes diziam respeito, “já obtivemos os
primeiros resultados da Marcha: o anúncio feito pelo presidente Lula do envio ao
Congresso Nacional do pedido de ratificação e regulamentação das Convenções 151
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece o direito à
negociação coletiva no serviço público, e 158, que coíbe a demissão imotivada,
pondo um freio à alta rotatividade”. “Além disso, o presidente se comprometeu a
enraizar a democracia no local de trabalho com a eleição de representantes dos
trabalhadores para os Conselhos de Administração de todas as empresas estatais
federais. Houve também o entendimento de que a redução da jornada de trabalho
sem redução de salário deve ser efetivada com uma mobilização popular, já que,
conforme estudos do Dieese, esta medida pode abrir mais de dois milhões e
duzentas e cinqüenta mil novas vagas. São iniciativas que se somam e que dão a
medida do resultado da nossa Marcha”, frisou.
O líder petista também alertou para as artimanhas
utilizadas por alguns veículos de comunicação na tentativa de dividir os
sindicalistas, requentando notícias e dando ares de novidade a questões já
superadas. “2007 foi um ano intenso, de muitas mobilizações unitárias das
centrais. Sem esta unidade, dificilmente teríamos conseguido vencer as
investidas do grande capital e de sua mídia, como na batalha da Emenda 3, que
queria assaltar conquistas históricas da classe trabalhadora como o direito às
férias, descanso semanal remunerado, 13º, licenças maternidade e paternidade.
Foi com paralisações e mobilizações nas ruas que os trabalhadores conseguiram
manter o veto presidencial contra a retirada de direitos”, ressaltou.
A luta contra a Emenda 3 definiu claramente os campos,
sendo “carregada de simbolismo”, enfatizou João Felício, “já que destituía o
trabalhador de sua própria essência ao transformá-lo em ‘pessoa jurídica’, os
chamados ‘pjs’, sem carteira e sem direito, numa relação promíscua bem ao gosto
dos neoliberais, que vêem o mercado como um Deus todo poderoso ao qual
deveríamos nos curvar”. Enfrentando o muro de silêncio erguido pelos donos dos
meios de comunicação, esclareceu, “demonstramos o absurdo do PLP 01, que
representaria um tiro no pé do Programa de Aceleração do Crescimento, uma
camisa-de-força para os serviços públicos e para o próprio desenvolvimento
nacional, ao impor limites ao investimento com pessoal. Este projeto
inviabilizaria a realização de concursos e, conseqüentemente, de novas
contratações, sabidamente necessárias para dotar o Estado de condições de
valorizar os serviços e os servidores. Em defesa da Seguridade, repudiamos de
forma veemente, no Fórum Nacional da Previdência, nas ruas e em todas as
instâncias, a perversidade do fator previdenciário, mecanismo de arrocho imposto
pelo tucanato privatista para assaltar as aposentadorias. Investimos na
realização das Jornadas de Desenvolvimento, com o apoio do Dieese, envolvendo o
conjunto das regiões na formulação de um projeto para o Brasil, convictos de que
é preciso estimular a capacidade crítica e criativa da classe trabalhadora, com
vistas a garantir o seu protagonismo”.
A luta pela democratização da comunicação, asseverou, “se
insere na disputa permanente para definir quais os rumos e a profundidade das
transformações em curso, como é o caso do PAC, que coloca o Estado como indutor
do desenvolvimento e começa a injetar bilhões na economia. Defendemos
contrapartidas sociais no PAC, a fim de que tenhamos metas de emprego e
qualificação para os trabalhadores, fazendo com que o crescimento econômico se
traduza também em melhorias efetivas no plano social”. O fundamental, concluiu,
“é que temos consciência de que é a nossa luta, a ação articulada do movimento
sindical e social, que será a parteira desse novo tempo que começamos a
construir”.
LWS
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