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Metroviários exigem punição dos culpados pela
tragédia da Linha 4
De
acordo com o MP, mortes poderiam ter sido evitadas
“Uma das características mais condenáveis da
obra é a inexistência de um sistema de segurança
para que os trabalhadores e a população local
pudessem ser avisados do risco de acidentes e,
conseqüentemente, evitar a circulação no local”,
denuncia o manifesto do Sindicato dos
Metroviários de São Paulo sobre o acidente da
Linha 4 do metrô, ocorrido há um ano e até agora
sem laudo e sem providência por parte do governo
do Estado. O sindicato está cobrando a apuração
das causas e a punição dos responsáveis pela
tragédia que causou 7 mortes e deixou 65
famílias desabrigadas.
“Cidadãos foram e continuam submetidos a uma
situação de total insegurança, enquanto o
governo estadual e a iniciativa privada
prosseguem ‘economizando’ e lucrando cada vez
mais”.
A
falta de um plano de contingenciamento no
entorno do local, que poderia ter evitado as 7
mortes, também está sendo investigado pelo
Ministério Público estadual, que apura as causas
do desmoronamento no canteiro de obra.
O
promotor criminal Arnaldo Hossepian Jr contou
que em visita ao local, em maio do ano passado,
reconstituiu a caminhada feita pelo mestre de
obras no dia do acidente. O mestre de obras, que
estava no posto da Rua Ferreira de Araújo, teria
sido avisado por rádio do problema por um dos
funcionários da obra.
“Do momento em que ele recebeu o comunicado de
que algo irregular se sucedia até a caminhada ao
local, antes que o acidente se iniciasse,
demorou aproximadamente cinco minutos, o que me
leva a concluir que se tivesse sido acionado
algum dispositivo quando foi detectado o
problema lá embaixo (no canteiro de obras),
talvez tivesse sido possível paralisar o
trânsito”.
O
sindicato denuncia ainda que “um laudo produzido
por uma empresa contratada pelo próprio
consórcio Via Amarela detectou inúmeras
irregularidades nas obras da futura estação
Fradique Coutinho, bem como a realização de
gambiarras e a utilização de materiais de
qualidade questionável”.
“Novos buracos invadiram as ruas de SP. Túneis
se desencontraram. Mas até agora, depois de um
ano, ninguém divulgou nenhuma conclusão a
respeito do acidente ocorrido em Pinheiros”.
Para Hossepian, que já declarou em entrevista
que o “que aconteceu não foi um acidente, foi um
crime”, as investigações apontarão algum tipo de
irregularidade na atuação do consórcio ou do
Metrô. “Estamos avaliando as cautelas que uma
obra deste porte deveria ter com o entorno”,
disse.
Referindo-se à demora na apuração das
responsabilidades, a nota do sindicato diz ainda
que “o Metrô e governo estadual deveriam ser tão
ágeis e rigorosos, como foram ao tratar os
trabalhadores metroviários que se mobilizaram
pelos direitos dos cidadãos”.
O
sindicato denuncia que Metrô e governo estadual
promoveram uma “demissão em massa e
criminalizaram o movimento sindical, que defende
diversas causas relacionadas ao interesses de
toda a população, mas deixam ilesos os
responsáveis pela morte de 7 pessoas”.
“Até então não se ouviu nem uma manifestação do
governo do estado ou do Metrô para divulgar os
resultados das investigações, nem tão pouco para
acelerar este processo”.
Junto com a tragédia de janeiro do ano passado,
e outros acidentes registrados anteriormente, a
obra da Linha 4 acumula quinze ocorrências de
natureza grave ou gravíssima, contabilizando,
além das 7 vítimas, a morte de um operário em
outro acidente e vários feridos.
De
acordo com os Metroviários de São Paulo, “o
Sindicato sempre alertou a população para os
riscos da privatização dos serviços públicos e
continuará sendo contra esta prática, haja vista
tantos acidentes já ocorridos”.
A
Linha 4 do metrô foi privatizada pelo governo de
São Paulo, que repassou recursos públicos e a
responsabilidade pela construção e a própria
fiscalização da obra para o Consórcio Via
Amarela, composto pelas empresas Andrade
Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS,
Queiroz Galvão, Alstom e Siemens.
ANA BRAIA
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