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Chávez defende
início do diálogo das FARC com
governo colombiano
Presidente venezuelano destacou que “se o presidente Uribe reconhece as FARC em
estado de beligerância estas entrariam nos protocolos de Genebra, ficando-lhes
vedado, por exemplo, o uso do seqüestro, ao qual eu me contraponho”
“Que
se inicie um diálogo de paz, não só para libertá-los, que é o primeiro passo,
mas para o segundo passo, que é a paz”, declarou na segunda-feira, 14, o
presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante a cerimônia de posse do novo
presidente da Guatemala, Álvaro Colom, sobre a libertação intermediada por ele
das duas reféns seqüestradas pelas FARC há seis anos, a ex-candidata à Vice-Presidência
colombiana, Clara Rojas e a ex-congressista, Consuelo González.
“Há 20 anos
estive aqui na Guatemala, onde havia uma guerra muito dura e hoje o país goza de
paz. Por que isso ocorreu aqui e não pode acontecer na Colômbia?”, questionou o
presidente venezuelano.
“Sou um homem de
paz e queremos a paz. Creio que podemos conseguir a libertação do resto dos
detidos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), para o qual
estamos pedindo a ajuda de todos os governos do mundo”, disse Chávez, que
aproveitou a ocasião para convocar todos os envolvidos na situação colombiana a
sentarem-se na mesa e dialogar realmente sobre a guerra na Colômbia.
LIBERTAÇÃO
No último dia
10, em uma ação com a participação do governo da Venezuela, compromisso por
parte do governo da Colômbia em retirar tropas da região e a colaboração do
Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Consuelo González e Clara Rojas foram
libertadas incondicionalmente pela guerrilha colombiana. Para auxiliar nas
negociações também foi criada uma comissão humanitária com delegados
presidenciais vindos da Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Cuba, França e
Suíça. O ex-presidente argentino Nestor Kirchner representou o seu país. O
ministro das Relações Exteriores, Marco Aurélio Garcia, representou o Brasil.
Clara Rojas é
mãe de Emmanuel, menino nascido durante sua permanência na selva, fruto de uma
relação com um guerrilheiro. Ela reencontrou-se com seu filho no domingo, na
capital colombiana. Mãe e filho passarão por um processo de adaptação que deve
durar duas semanas. O menino ficou um ano e cinco meses com uma mãe substituta.
No sábado, 12,
Chávez sugeriu que o governo da Colômbia reconheça as FARC e o Exercito de
Libertação Nacional com status político. “É um passo imprescindível, pois esse
conflito não tem solução militar”, acrescentou.
No domingo, em
seu programa semana “Alô Presidente”, ele reiterou a proposta: “Presidente Uribe,
se reconhece as FARC em estado de beligerância, por exemplo, e as FARC aceitam
isso, as FARC entrariam de imediato nos protocolos de Genebra, não poderiam
utilizar o seqüestro, por exemplo”.
“Eu também sou
contra o seqüestro. Parece-me horrível. Não estou de acordo com manter uma
pessoa anos em uma selva, algumas morrendo. Isso me parece contra a natureza
humana”, acrescentou Chávez. Consuelo González fez questão de estar na platéia
do programa.
As FARC, que
exigem a liberdade de centenas de seus membros, declararam que a libertação
incondicional das reféns “é uma esperança e um dos primeiros passos para chegar
à paz e colocar um ponto final no conflito interno”.
“A Venezuela
continuará a abrir o caminho para a paz na Colômbia. Estamos prontos para isso e
em contato com as FARC, e esperamos que o governo colombiano compreenda isso.
Estou certo de que eles compreenderão. O mundo quer paz para a Colômbia”, disse
Chávez, após a libertação, acrescentando que os EUA são os principais
interessados em manter o conflito na Colômbia “para preservar sua influência e
sua presença militar na América do Sul”.
No dia da
libertação das reféns, o ministro do exterior venezuelano, Nicolás Maduro,
transmitiu ao chanceler da Colômbia, Fernando Araújo, o pedido de autorização
para a entrada em território colombiano de helicópteros venezuelanos com o
emblema da Cruz Vermelha depois que Chávez anunciou ter recebido das FARC as
coordenadas do local da libertação.
LÍRIO
González foi
recebida pelas duas filhas no aeroporto internacional de Caracas, onde viu pela
primeira vez a sua neta, de dois anos de idade. A menina entregou um lírio
branco à avó que a tomou nos braços ao reencontrar a filha.
“É o melhor dia
da minha vida, é uma felicidade que não posso descrever”, disse Maria Fernanda
Perdomo, filha de González, minutos após reencontrar a mãe.
Clara Rojas,
desceu do avião sorridente e foi recebida com um abraço pela mãe, Clara González
de Rojas, que minutos antes de reencontrar a filha disse aos jornalistas que
estava “vivendo um sonho”.
“Não tenho
palavras, compreendam”, afirmou.
No dia 31, na
primeira tentativa de libertar as reféns, as FARC suspenderam a entrega devido
às “atividades militares” colombianas próximas ao local do resgate.
RODRIGO CRUZ
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