Declarações de oficiais expõem provocação dos EUA contra barcos do Irã
Bush acabava de
chegar no Oriente Médio tendo entre seus principais objetivos trazer os líderes
dos países árabes para engrossar sua cruzada contra o Irã. Surge, no dia 7, a
“notícia” de que barcos iranianos ameaçaram “explodir” navios de guerra dos EUA
( nada menos que um cruzador, um destróier e uma fragata). O Pentágono admitiu,
pouco depois, que os navios ianques estavam a segundos de disparar contra os
barcos iranianos.
Bush logo
advertiu da “situação perigosa” criada pelos barcos do Irã.
Dois dias depois,
o jornal The New York Times divulga artigo onde nota que o áudio divulgado pelo
Pentágono, com as supostas ameaças aos navios norte-americanos não inclui
“nenhum som ambiente do tipo que se esperaria de uma transmissão vinda de um dos
barcos”.
Foi o suficiente
para que oficiais membros do Pentágono declarassem à BBC (sob anonimato) que a
voz ouvida no filme divulgado pelo próprio Pentágono “não é diretamente
conectável aos barcos iranianos” e que “poderiam vir de outra fonte”.
Mesmo assim, no
mesmo dia, o governo de Bush formalizou uma reclamação contra o governo do Irã
através da embaixada da Suíça em Teerã.
FABRICAÇÃO
O governo do Irã,
através do porta-voz do seu parlamento, declarou que o “vídeo divulgado pela
Marinha dos EUA contém imagens de arquivo e o áudio foi fabricado”.
A TV estatal do
Irã apresentou um vídeo em que os barcos se aproximam dos navios dos EUA.
“Solicitamos que estabeleçam comunicação, se identifiquem e declarem suas
intenções”, ouve-se de um marinheiro iraniano dirigindo-se aos tripulantes
norte-americanos. Sons dos barcos podem ser ouvidos ao fundo da gravação.
Militares iranianos trataram o acontecimento como “ocorrência ordinária” e
destacaram: “isto acontece com bastante freqüência e, depois da identificação de
ambos os lados, a questão é resolvida”.
O escritor e
articulista Robert Fantina – autor do livro “A deserção e o soldado americano” –
alertou que “o governo dos EUA continua a demonstrar sua incapacidade de
aprender com a história”.
Mesmo antes das
declarações do NYT e dos oficiais do Pentágono, Fantina desconfiou do relato
governamental sobre o “incidente” e da forma com que foi reportado pela mídia. A
Associated Press apressou-se em divulgar o seguinte: “Naquilo que os membros do
governo dos EUA chamaram de séria provocação, barcos iranianos perturbaram três
navios da Marinha dos EUA no estratégico Estreito de Ormuz, ameaçando explodir
os barcos americanos”.
“Gordon Johndore,
porta-voz do Conselho Nacional de Segurança”, prossegue Fantina, “declarou que
os Estados Unidos demandam dos iranianos ‘refrearem-se de tais ações
provocativas que poderiam levar a um incidente perigoso no futuro’”.
TONKIN
“Isso nos faz
lembrar o infame incidente do Golfo de Tonkin”, afirma o articulista
norte-americano, lembrando uma – hoje totalmente reconhecida – provocação
norte-americana perto da costa do Vietnã.
“Um Congresso
histérico rapidamente passou a assim denominada ‘Resolução do Golfo de Tonkin’
dando poderes ao presidente Lyndon Johnson para tomar todas as medidas
necessárias para repelir a agressão”, relata Fantina.
“Aquilo
representou a primeira grande escalada que não terminou por mais de uma década e
custou as vidas de mais de 50.000 soldados norte-americanos e algo entre
1.000.000 a 2.000.000 de cidadãos vietnamitas”, acrescenta.