Amorim defende diálogo entre Farc e governo da Colômbia e rejeita pressão por
classificação
O ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, defendeu o diálogo entre o governo da Colômbia e as Farc e disse que o
Brasil “não classifica o grupo de terrorista, porque simplesmente não temos este
tipo de classificações”. Amorim afirmou que o Brasil não faz uma classificação
definindo quais são as organizações terroristas e que esta orientação não deve
mudar, porque “o país segue a [definição da] ONU (Organização das Nações Unidas)
e a Al-Qaeda é a única que a ONU classifica como organização terrorista”.
“Precisamos ter diálogo [com as Farc], por
motivos humanitários”, disse Amorim, ressalvando que “isto não implica também em
dar às Farc o status político que torne difícil esse diálogo do ponto de vista
do governo colombiano”. “Acho que, no momento, não se trata de encontrar nenhum
outro status”, afirmou o ministro, comentando o pedido do presidente venezuelano
Hugo Chávez para que as Farc fossem consideradas como “força beligerante”.
O ministro propôs a continuidade do diálogo na
Colômbia e declarou que “todos saíram ganhando [com a libertação das reféns]”.
“Agora, vamos continuar um caminho aí com cautela, com equilíbrio, para que
possamos dar outros passos, outras pessoas possam ser libertadas e, quem sabe no
futuro, ver o que acontece”.
No programa Café com o Presidente, veiculado por
emissoras de rádio na manhã de segunda-feira, o presidente Lula fez um pedido
para que o presidente colombiano Álvaro Uribe e as Farc negociem a libertação de
outros reféns. “O apelo que eu faço é que o governo colombiano e o meu amigo, o
presidente Uribe, mais os dirigentes das Farc se coloquem de acordo para que se
possa libertar mais pessoas que estão seqüestradas”, afirmou. “Eu acho que é uma
questão humanitária, e o Brasil continuará contribuindo para que mais
seqüestrados sejam libertados”. Em Cuba, na terça-feira, Lula disse que “fazer
com que pessoas inocentes paguem o preço da disputa política não é admissível
para qualquer ser humano do mundo”. “É abominável essa história de seqüestros”,
declarou Lula. Acrescentou que a manutenção de pessoas em cativeiro “não pode
ser feita por nenhum ser humano em juízo perfeito, no mundo”. Na quarta-feira,
ainda em Cuba, ao ser questionado como as Farc devem ser tratadas, Lula afirmou:
“como elas são”. “O Brasil não é território de classificação de tendência
política ou grupo de luta armada”, completou.
As declarações do ministro das Relações
Exteriores e do presidente da República rechaçam as posições provocadoras e
beligerantes de setores de parte da mídia e da direita, como o PSDB, que querem
intrigar o governo brasileiro com os governos da Colômbia, da Venezuela e as
Farc. O PSDB lançou nota, assinada pelo seu presidente, o senador Sérgio Guerra
(PE), defendendo que o governo Lula assuma as posições direitistas dos tucanos
em relação à Venezuela e na atitude brasileira de cautela quanto às Farc.
Claramente, o PSDB quer que o governo brasileiro intervenha nos assuntos
internos dos outros países, o que foi repelido, com razão, pelas declarações de
Lula e Celso Amorim.