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Wagner Gomes, presidente do Sindicato dos
Metroviários-SP, denuncia aditamento do governo
de São Paulo
“R$ 93
milhões de SP entregues a consórcio devem ser
apurados”
Consórcio cobrou R$180 milhões dos cofres
públicos. Governo já depositou R$92,3 milhões.
Deputados e sindicatos exigem investigação
“Passado um ano do acidente que matou sete
pessoas, nenhuma providência foi tomada contra o
Consórcio Via Amarela, ninguém foi punido e,
mais do que isso, o consórcio ainda ganhou de
presente do governo do Estado um aditamento de
R$ 93 milhões”, afirmou o presidente do
Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner
Gomes.
Em
entrevista ao HP, o presidente destacou que “um
ano se passou e o buraco ainda está lá e vai
continuar, porque, como se trata de uma
empreiteira, o governo Serra não tem interesse
em investigar”. Para Wagner Gomes, “tudo começou
errado lá atrás, quando o governador privatizou
o Metrô e passou até a fiscalização da obra para
a empreiteira”.
“Nós, o sindicato, os deputados e a população,
estamos todos sem informações das investigações.
Nem o Ministério Público está tendo facilidade
nas investigações. Virou uma caixa-preta”,
afirmou o presidente do sindicato.
Exigindo a apuração do aditamento, na
sexta-feira (11/1), o deputado Simão Pedro
(líder da bancada do PT na Assembléia), com o
apoio de parlamentares e entidades, entre elas,
o Sindicato dos Metroviários, protocolou junto
ao Ministério Público da capital uma
representação ao promotor Saad Mazloum, em
relação ao contrato assinado entre a Companhia
do Metrô e o Consórcio Via Amarela para a
construção da Linha 4.
O
documento pede que o Tribunal de Contas apure o
fato do governo de São Paulo ter depositado R$
92,3 milhões na conta do Consórcio Via Amarela,
no último dia 7 de dezembro.
A
verba é parte dos R$ 180 milhões cobrados pelo
consórcio como adicional para promover
“equilíbrio” financeiro do contrato. O deputado
denuncia como “uma grande farsa” este pagamento
a mais ao Consórcio a título de indenização pela
mudança do método construtivo de shield (tatuzão)
para NATM (com utilização de explosivos).
“A
obra apresenta, desde o momento da licitação até
a fase atual de construção, inúmeras
controvérsias que não são esclarecidas pelo
governo do Estado”, ressalta Simão Pedro.
De
acordo com Wagner Gomes, em entrevista a Paulo
Henrique Amorim, “o aditamento é uma prática
conhecida”. “Você entra na licitação da obra com
o valor e vai fazendo aditamentos, a ponto do
preço, às vezes, ficar quatro, cinco vezes mais
caro do que apareceu na licitação”.
“Por exemplo, você participa de uma concorrência
dizendo que vai cobrar tal valor. A partir daí,
alega que precisa gastar mais porque encontrou
uma rocha, porque os produtos subiram de preço,
ou que teve que mudar o método construtivo, como
foi o caso do Consórcio Via Amarela. Argumentos
eles têm um monte. É um verdadeiro golpe”,
denunciou.
Para o deputado Simão Pedro, “esses R$ 180
milhões que o Consórcio Via Amarela está
cobrando como uma indenização pela mudança do
método construtivo não faz sentido, uma vez que
o método NATM é mais barato em comparação ao
shield. Na verdade, a indenização é para cobrir
o custo da obra. Quando o Metrô aceitou o preço
do Via Amarela, era um preço inexeqüível, ou
seja, com aquele valor o Consórcio não teria
condições de entregar a obra pronta”, contesta o
deputado.
“O
governador José Serra está sendo negligente ao
não rever o contrato da Linha 4, que está
trazendo prejuízos enormes aos cofres do
Estado”, disse. Segundo o deputado, “a tragédia
foi resultado de uma política de sobrepor ao
interesse público os lucros de grupos privados”,
Simão Pedro enfatiza que a bancada dos deputados
petistas continuará a exigir a implantação de
uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para
apurar as responsabilidades do acidente nas
obras da Estação de Pinheiros. “A CPI pode
ajudar o Ministério Público, o Tribunal de
Contas, a Polícia Civil nas apurações das
responsabilidades dos envolvidos”.
Em
entrevista ao HP, o diretor do Sindicato dos
Metroviários, Manuel Teixeira, afirmou que “o
governo do Estado e o Metrô deveriam cancelar o
contrato do sistema ‘porteira fechada’, um
sistema onde o Metrô não tem condições de
fiscalizar a obra”.
Ao
destacar o fato de não ter saído nenhum laudo
sobre a cratera nas obras da Linha 4, Teixeira
afirmou que “quando o acidente ocorreu, e
iniciaram as investigações através do IPT, nós
achávamos que somente o IPT não era suficiente,
e que outras instituições da sociedade pudessem
fazer, como associações, sindicatos,
universidades, que tinham condições de trazer
para a sociedade o motivo e os culpados dessa
tragédia e da forma mais rápida possível”. “A
investigação ainda deve perdurar até agosto, e
isso tende a favorecer os responsáveis pelo
ocorrido”.
Manuel Teixeira conta ainda que, “para nós do
sindicato, é uma situação complicada até porque,
antes do acidente já vínhamos fazendo denúncias
das condições de segurança da obra. Em maio de
2006, fomos ao Ministério Público denunciar o
risco de acidentes. Em novembro, o Ministério
entendeu que era necessário investigar. Isso não
foi suficiente para impedir o acidente”.
De
acordo com o Sindicato dos Metroviários, “não se
ouviu nem uma manifestação do governo do Estado
ou do Metrô”. “Enquanto a população permanece
sem informações, assistindo a ocorrência de uma
barbeiragem atrás da outra, Metrô e governo
estadual dão continuidade à entrega do
transporte metroviário para a iniciativa
privada, sem ter a preocupação de assegurar à
população que ela está excluída de riscos”.
ANA BRAIA
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