O presidente estadual do PT paulista, Edinho Silva,
defendeu a criação de CPI para investigar o contrato “fechado” assinado
entre o governo do Estado e o consórcio para a construção da Linha 4
(privatizada) do Metrô. “Em relação ao aditamento do governo de São Paulo, a
Assembléia Legislativa e a Câmara Municipal deveriam abrir CPI para
investigar o contrato firmado entre o governo e o consórcio, porque é uma
denúncia que pode acarretar em crime de responsabilidade”, disse Edinho em
entrevista ao HP.
“Penso que foi um ato que mexeu com a opinião pública.
Famílias inteiras perderam seus parentes e foram desestruturadas. O mínimo
que o governo do Estado deveria ter feito, pelo menos, era se manifestado e
se empenhado para que houvesse conclusão nas investigações, uma resposta
para que a população não vivesse em um ambiente de insegurança”, afirmou
Edinho Silva sobre o descaso. “As obras continuam, e as pessoas em volta
estão numa posição de fragilidade”, disse.
Apesar de o contrato ser “fechado”, o consórcio
responsável pela construção da Linha 4 reivindicou um aditamento de R$ 208
milhões para cobrir “custos da obra”. Deste total a mais do que previa o
contrato “fechado”, R$ 92 milhões já foram depositados pelo governo paulista
na conta do consórcio.
O governo estadual assinou com as empreiteiras um modelo
de contrato “fechado”, conhecido como “turn key”. Pelo contrato “fechado”,
os açambarcadores da Linha 4 ficaram livres para definir o modelo de
construção e o projeto, assim como são os responsáveis por fiscalizar a
própria obra, sem qualquer intervenção por parte do Estado para garantir sua
qualidade e segurança. Até hoje, os detalhes do contrato não foram revelados
pelo governo, permanecendo literalmente fechado.
No dia 12 de janeiro do ano passado, o canteiro de obras
da futura Estação Pinheiros da Linha 4 desabou, abrindo uma gigantesca
cratera de 80 metros de diâmetro e 30 de profundidade. Sete pessoas morreram
e 65 famílias que moravam nas imediações ficaram desabrigadas. Passado um
ano, ninguém foi responsabilizado pela tragédia.
“O governo deveria não só facilitar, mas contribuir com
as investigações. É preciso saber se houve alteração no projeto inicial e se
o buraco poderia ter sido evitado”, afirmou o presidente estadual do PT, que
também é prefeito de Araraquara.
Até hoje o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, vinculado
ao governo do Estado, não emitiu seu laudo sobre o desastre, e o governador
do Estado não tomou providências para que as investigações fossem aceleradas
e os culpados identificados.