Anglo American anuncia aumento da exploração de minério
de ferro no Brasil
A Anglo
American (anglo-sul-africana) anunciou que pretende ampliar sua produção de
minério de ferro dos atuais 31 milhões de toneladas para 100 milhões de
toneladas anuais à custa do saque do subsolo brasileiro. Para tal, no ano
passado a empresa adquiriu de Eike Batista 49% do projeto Minas-Rio e Amapá
da mineradora MMX. Na semana passada, a corporação estrangeira anunciou o
controle total dos dois projetos.
A exploração deve começar em 2009, principalmente no projeto Minas-Rio. De
acordo com a MMX, o “sistema Minas-Rio se destaca por suas extensas reservas
de minério de ferro localizadas em Minas Gerais, que podem atingir dois
bilhões de toneladas”.
Para mandar
o minério de ferro nacional para o exterior, está sendo construído um
mineroduto com aproximadamente 525 quilômetros de extensão, ligando as
reservas minerais ao Complexo Portuário do Açu, no Rio de Janeiro. O Sistema
entra em operação no segundo semestre de 2009.
Cynthia
Carrol, presidente da Anglo American, deixou explícita as intenções da
transnacional. “Continuamos o processo de exploração no Brasil, mas a maior
parte do saldo para atingir os 100 milhões de toneladas deve vir do Sistema
Minas-Rio”, disse ela.
“A China
tem sido o grande impulsionador do mercado, com crescimento contínuo e forte
demanda, particularmente no minério de ferro”, disse a representante da
Anglo American, ressaltando que a aceleração da produção tem por objetivo
aproveitar os atuais patamares do preço do minério de ferro, ou seja, os
preços extorsivos do cartel do aço.
Em 2005, o
cartel formado pela Vale do Rio Doce, a Nippon Steel Corporation do Japão e
a Pohang Steel Corporation da Coréia do Sul reajustou o preço do minério de
ferro em 71,5%. Em 2006 a alta foi de 19% e de 9,5% em 2007.
Este ano, as maiores mineradoras mundiais - Vale, BHP Billiton e Rio Tinto,
responsáveis por 70% do minério de ferro do planeta, querem reajuste de 50%.
As negociações com a China, maior importador de minério de ferro do mundo,
estão paralisadas.