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Lula quer “máximo cuidado e vigilância” contra alta de juros
Ele determinou
ao ministro Guido Mantega “medidas preventivas” para evitar “um cenário como
esse” pretendido pelo BC
O presidente Lula advertiu que não quer nem
ouvir falar em aumento das taxas de juros. Segundo sua avaliação, pensar nisso
agora, como vêm fazendo o presidente do Banco Central e alguns diretores do
órgão, poderia quebrar expectativas positivas do empresariado, reduzir
investimentos e diminuir a meta de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
Ele quer que o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, antecipe-se e ponha um freio nas articulações altistas do BC e dos
especuladores. A meta do governo é manter o crescimento do PIB na casa dos 5%
anuais.
IEDI
A opinião do presidente sobre a política de
juros coincide com a avaliação feita pelo Instituto de Estudos para o
Desenvolvimento Industrial (IEDI) (veja matéria na página 2) de que uma alta de
juros neste momento seria “a pior alternativa para o país”. Diante da
quebradeira na economia dos Estados Unidos e de uma hipotética retração na
economia mundial, não há, segundo a avaliação dos economistas do IEDI, a menor
lógica em desestimular os investimentos internos com a elevação das taxas de
juros.
Ao contrário do presidente da República, dos
economistas citados e do Ministério da Fazenda, Meirelles & Cia avaliam que o
momento é de elevação da taxas de juros. O que está incomodando o presidente é
que essa é justamente a alternativa que o governo não quer. Ele fez questão de
dizer que não quer ser pego de “surpresa” e determinou “medidas preventivas para
que não haja desaceleração em setores como o da construção civil”. Guido Mantega
foi convocado de suas férias e se comprometeu a produzir uma análise detalhada
da situação internacional e propor medidas contra a turbulência na economia
externa. Mantega informou que vai apresentar esta avaliação e as propostas na
reunião ministerial desta quarta-feira.
O presidente revelou-se insatisfeito com a
informação, repassada por alguns assessores, de que a “curva de juros futuros”
estaria em alta. Isto significa que os especuladores, estimulados pela política
do BC, estariam pressionando para que no curto e médio prazo haja alta na taxa
Selic (juros básicos da economia). Preocupado com essa possibilidade, o
presidente pediu a Mantega o “máximo de cuidado e vigilância”. Na opinião de
Lula, os empresários do setor da construção civil “ainda não pisaram no freio,
mas podem começar a reduzir o ritmo”. Por conta disso, ele pediu atenção de sua
equipe para tomar as medidas necessárias e evitar “um cenário como esse”.
No início do ano, antecipando-se às pressões
pela alta dos juros, Lula fez questão de anunciar logo as medidas para compensar
as perdas com o fim da CPMF. Sua intenção era acabar com a incerteza e o clima
de especulação em relação à substituição da CPMF. Prevendo as armações do BC
para elevar os juros, o presidente avaliou que era melhor elevar também a
pressão contra isso. Além da óbvia necessidade de compensar a perda de R$ 38
bilhões, o governo usou as medidas de compensação da CPMF para frear as
articulações do BC. Em reunião com Lula no início do ano, o presidente do BC,
Henrique Meirelles, foi obrigado a reconhecer de público que as medidas
anunciadas para compensar a perda da CPMF contribuíram para evitar a subida dos
juros. Mas, ao invés de atender a orientação de Lula, Meirelles voltou a
insistir nas suas ameaças. “Se houver uma grande crise mundial, é óbvio que isso
mudará de figura”, afirmou, apontando na direção do arrocho e da recessão.
CONTRAMÃO
A avaliação feita pelo Planalto, ao contrário, é
de que “o Brasil está numa posição mais confortável” hoje do que no passado para
enfrentar qualquer crise externa. Lula disse que o país tem tempo suficiente
para fazer uma análise e adotar medidas contra a crise. Tanto Lula como Mantega
reforçaram o fôlego da economia para agüentar respingos da crise nos EUA. Lula
não crê que a economia brasileira sofra com os efeitos da crise internacional.
Mas, na contramão do presidente, a equipe do BC insiste que “não poderá fugir da
receita tradicional de aperto monetário caso as turbulências se intensifiquem”.
Atento às orientações desenvolvimentistas do governo, Mantega rebateu de pronto
o tom alarmista do BC. “A crise dos Estados Unidos não é um furacão entrando
pela porta brasileira”, avaliou o titular da Fazenda.
SÉRGIO CRUZ
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