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Centrais: reduzir juros e
superávit, cobrar IOF sobre o capital externo
CUT,
Força, CGTB, CTB, NCST e UGT propõem compensar perdas da CPMF taxando os
especuladores e lançam Campanha Nacional pela redução da jornada de trabalho
para 40 horas
As centrais sindicais lançaram nesta segunda-feira em São
Paulo uma mobilização nacional em defesa da redução dos juros, do superávit
primário e da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
Diante das medidas tributárias anunciadas pelo governo para
fazer frente à perda de arrecadação - cerca de R$ 40 bilhões - decorrente da não
prorrogação da CMPF pelo Senado, CUT, Força, CGTB, CTB, NCST e UGT reafirmaram
“a unidade na luta em prol de uma reforma tributária justa e democrática, sem
perda de direitos dos trabalhadores, sem redução dos investimentos sociais e que
seja um instrumento na construção de um modelo de desenvolvimento pautado pela
distribuição de renda e participação da sociedade”.
A nota sublinha o compromisso contra qualquer retrocesso:
“Os trabalhadores não aceitam que as medidas para compensar a perda de receitas
causadas pelo fim da CPMF recaiam sobre os acordos firmados entre o governo
federal e as centrais, especialmente aqueles relacionados à continuidade da
política de valorização do salário mínimo, do reajuste da tabela do Imposto de
Renda, da regulamentação da Emenda Constitucional 29 - que estabelece o
percentual mínimo de recursos a ser destinado à Saúde nos Orçamentos Públicos -
e da política de valorização do serviço e dos servidores públicos, por meio de
reajustes negociados e novas contratações por concurso público”.
“Indicamos que os recursos para compensar a perda de
arrecadação devem ser buscados na redução das metas do superávit primário, da
taxa de juros e da cobrança do IOF sobre o capital estrangeiro aplicado nas
Bolsas, garantindo-se, dessa forma, os fundamentais investimentos na
infra-estrutura e nas políticas sociais, vitais ao crescimento sustentável da
economia e ao resgate da cidadania de milhões de brasileiros. Neste sentido, as
centrais reafirmam sua proposta de ampliação e democratização do Conselho
Monetário Nacional, órgão normativo máximo do sistema financeiro brasileiro, com
a incorporação de representação dos trabalhadores”, esclarecem.
Mais que debater isoladamente as medidas adotadas em função
da CPMF, as centrais propõem “uma ampla e democrática Reforma Tributária com
vistas a promover o crescimento econômico e a distribuição de renda”. Entre as
propostas apresentadas, estão as seguintes: Instituição da progressividade como
princípio da tributação sobre a propriedade, a renda, lucros e ganhos de
capital, de maneira a favorecer a produção frente aos ganhos financeiros, a
promover a distribuição da renda e eliminar a guerra fiscal entre Estados e
Municípios; implantação do Imposto Sobre Grandes Fortunas e Heranças; isenção
dos Impostos dos itens da cesta básica de consumo popular; revisão da tabela do
Imposto de Renda para desonerar os menores salários - com o aumento do número de
faixas e revisão das alíquotas aplicadas - e a tributação da remessa de lucros
ao exterior das corporações transnacionais, do capital especulativo e dos
bancos”.
O presidente da CUT, Artur Henrique, destacou a
potencialidade da mobilização unitária, que já demonstrou seu vigor nas Marchas
da Classe Trabalhadora, com o estabelecimento de uma política de valorização do
salário mínimo e a recomposição da tabela do Imposto de Renda. “Com maturidade e
responsabilidade, estamos mais uma vez unidos em campanha pela redução da
jornada, da geração de emprego, de renda e das conquistas da classe
trabalhadora. Não vamos aceitar que a perda com a arrecadação da CPMF seja
compensada mexendo nos acordos firmados com os servidores e as centrais. Temos
da taxar a Bolsa, já o bolso do trabalhador tem de ser preservado”, declarou.
O fim do recesso do Congresso Nacional, 11 de fevereiro,
foi escolhido como data para desencadear a campanha de rua em favor da redução
da jornada. A coleta do abaixo-assinado já iniciou segunda, com a assinatura dos
presidentes das centrais.
De acordo com o Dieese, a redução de 44 para 40 horas
semanais gerará, numa primeira etapa, mais de 2,2 milhões de empregos.
LEONARDO SEVERO
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