Cafuringa e Edu Bala:
os pontas
Ariovaldo Izac *
Há treinadores ressuscitando o velho esquema tático 4-3-3.
Renato Gaúcho, do Fluminense, quer aproveitar o Campeonato Carioca para
experimentar o trio ofensivo formado por Leandro Amaral, Dodô e Washington.
O técnico holandês Louis van Gaal defende veementemente a escalação de três
atacantes, por entender que é a melhor fórmula de se ocupar os espaços em
campo. Resta saber se, de fato, ressurgirão os chamados ponteiros enfiados.
Até meados da década de 80 os clubes adotavam os pontas que
partiam com a bola em velocidade, levavam-na ao fundo do campo, e ali saía o
cruzamento, geralmente em curva, que dificultava para zagueiros e
beneficiava atacantes.
Nesse nostálgico período dois ponteiros, que corriam pela
direita, se caracterizavam pela velocidade: Cafuringa, no Fluminense e
posteriormente Atlético (MG), e Edu Bala, com trajetória na Portuguesa,
Palmeiras e São Paulo.
Cafuringa, que morreu no dia 25 de julho de 1991, vítima de
septicemia, foi alvo de polêmica. Para alguns não passou de “ciscador”,
folclórico, ao passar o pé sobre a bola; para outros um jogador que se
desvencilhava do marcador e pegava bem na bola nos cruzamentos.
MINEIRO
Seja como for, Moacir Fernandes, mineiro de Juiz de Fora,
ainda deixa saudade e uma história no futebol que começou a ser contada no
Botafogo (RJ) a partir de 1965. Depois, no Fluminense, foi campeão carioca
em 1969, 71, 73 e 75. Se era o “caneleiro”, como dizem, como atuou ao lado
de “cobras” como os meias Gérson, Carlos Alberto Pintinho, Paulo César Caju
e Rivelino – em anos diferentes –, os laterais Toninho e Marco Antonio, e
atacantes como Doval e Manfrine?
De fato não era um jogador habilidoso, mas, a exemplo da
maioria dos pontas, sabia se posicionar para receber lançamentos e, a partir
daí, criava jogadas para que os homens de área completassem.
Rivelino, que o considerava um amigo do peito, sempre
demonstrou gratidão pela ajuda recebida quando chegou ao Fluminense, após
deixar o Corinthians com imagem arranhada em 1974.
PRESTÍGIO
Cafuringa se transferiu para o Atlético Mineiro em 1976, e
posteriormente teve passagem por Maringá (PR), Bangu e Tachira da Venezuela,
onde encerrou a carreira, num período que gozava de prestígio. Houve
insistência de Curitiba, Vila Nova (GO) e Santo André (SP) para que
retornasse aos campos, mas recusou enfaticamente. Topou apenas jogar numa
seleção de master organizada pelo radialista Luciano do Vale, na década de
80, e arrancou aplausos. E mais: o apelido que o capitão do penta Cafu
ganhou tem tudo a ver com Cafuringa, por causa da velocidade.
Quanto a Edu Bala, carequinha, ainda está ligado ao
futebol como professor de escolinha, na capital paulista. De certo tem
dezenas de histórias para contar à garotada, a começar pela persistência na
correção de defeitos. Chegava ao fundo do campo com facilidade, mas pecava
nos cruzamentos. Paciência e dedicação foram um santo remédio para melhorar
o passe.
Nos tempos de Palmeiras, havia uma manjada jogada em que o
meia uruguaio Hector Silva o lançava no fundo do campo, e nem por isso os
marcadores o neutralizavam. Edu era tão rápido que foi capaz de aplicar o
drible da vaca correndo fora do campo para alcançar a bola. Ele sabia fechar
por dentro e pegava forte na bola com a canhota.
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Jornalista em Campinas e colaborador do HP.