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Representação pede ação civil do MPF contra
provocações da emissora à Venezuela
PCB denuncia Rede Globo por atentar contra a
Constituição
Quadro “Central de Boatos”, veiculado em 16 de
dezembro pelo Fantástico, distorceu imagens do
presidente Hugo Chávez para tentar gerar cizânia
entre venezuelanos e brasileiros
O secretário-geral do Partido Comunista
Brasileiro (PCB), Ivan Martins Pinheiro, entrou
com representação judicial contra a Rede Globo,
denunciando a emissora pela veiculação de uma
“sórdida e repugnante matéria, que atiçou o povo
brasileiro contra os venezuelanos, insinuando
uma suposta invasão militar da Venezuela ao
nosso país”. A matéria, exibida no Fantástico de
16 de dezembro, no quadro “Central de Boatos”,
insinuava: “O Brasil está preparado para uma
guerra contra a Venezuela?”.
Segundo o partido, a forma supostamente
humorística com que a emissora apresentou o
assunto não consegue esconder grave transgressão
aos princípios constitucionais brasileiros, que
consagram o convívio pacífico entre os povos e a
integração latino-americana. O PCB advertiu que
as ilações da Globo têm como objetivo indispor
mutuamente os governos e os povos de dois países
amigos: “A reportagem assumiu uma forma híbrida,
para passar a impressão de que se tratava de
humor”.
“Foi uma manipulação grosseira. Não sei se por
orientação jurídica, mas o programa finge que é
de humor, para que uma vez na Justiça ele digam:
‘não, é uma brincadeira’. Por isso, estamos
pedindo que o Ministério Público Federal (MPF)
no Rio de Janeiro entre com uma ação civil
pública”, declarou Ivan Pinheiro, que assina a
representação, ao HP.
No texto, o secretário-geral do PCB aponta que a
Rede Globo violou o artigo quarto da
Constituição, que trata dos princípios que regem
as relações internacionais do Brasil, pedindo ao
MPF que acione a emissora a fim de “assegurar
direito de resposta, no mesmo espaço, a
representantes dos governos ofendidos”.
“O programa já começa com a caluniosa insinuação
de que a Venezuela está se armando para invadir
o Brasil. Trata-se de uma notória fraude.
Qualquer pessoa medianamente informada sabe que
o adversário externo do governo venezuelano é o
governo norte-americano e não o brasileiro”,
ressaltou, assinalando que os entrevistadores do
programa manipulam “sem qualquer pudor” a
inocência e o patriotismo de pessoas humildes
que vivem em uma pequena cidade na fronteira do
Brasil com a Venezuela.
A denúncia relata, entre outras leviandades, que
os responsáveis pela “reportagem” perguntam a
transeuntes “se lutariam em defesa do Brasil” na
iminência de uma invasão venezuelana. Identifica
também o desrespeito a instituições cívicas do
Brasil ao percorrerem a via principal de
Pacaraima (RR), em um carro decorado com as
cores nacionais, promovendo uma “convocação de
emergência”, que incitava a população a se
“alistar para a guerra contra a Venezuela”. “O
programa trata de ridicularizar, satanizar e
estereotipar” o presidente Hugo Chávez, “através
de edição de imagens para que pareça um agressor
de nosso país”. “O objetivo político central é
uma solerte campanha para instar o governo
brasileiro a reforçar sua fronteira com a
Venezuela e se armar para poder ‘enfrentar o
país agressor’”, enfatiza.
BOLÍVIA
Ivan Pinheiro observou ainda que a emissora vai
além, tentando envenenar as relações do Brasil
com o governo boliviano. O secretário-geral do
PCB mostra que, ao insinuar que a suposta
invasão do território brasileiro poderia vir
também pelo sul, através da fronteira com a
Bolívia, o programa aproveita para ridicularizar
o presidente Evo Morales, colocando-o como
submisso a Chávez.
“Na realidade, o programa ofendeu três
presidentes: o presidente da Bolívia, como uma
marionete, um fantoche; o presidente da
Venezuela, como um invasor, um ditador; o
presidente do Brasil, como um pusilânime, um
omisso, que não reage e não prepara o país para
se defender da ‘invasão’. A todos, portanto,
agravou com dano material, moral e às suas
imagens”, acrescentou em sua representação. “O
desrespeito é tão grave e notório que o programa
foi ao ar exatamente no momento em que o
presidente Luiz Inácio da Silva estava num
intervalo de visitas aos dois países, justamente
para estreitar os laços de amizade e colaboração
entre seus povos, na perspectiva da integração
latino-americana”, advertiu Ivan Pinheiro.
WALTER FÉLIX |