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Pesquisadores da COPPE/UFRJ
desenvolvem nova geração de trem que levita e não polui
Um
grupo de cientistas do Laboratório de Aplicações de Supercondutores (LASUP)
da COPPE, e da Escola de Engenharia da UFRJ, projetou um trem que dispensa
os atuais trilhos e rodas e flutua sobre um colchão magnético.
O Trem de Levitação Magnética (TLV) começou a
ser desenvolvido em 1998 pelos pesquisadores do LASUP em parceria com a
Escola Politécnica e com o professor Roberto Nicolsky, do Instituto de
Física da UFRJ. A tecnologia, totalmente inovadora, é baseada na formação de
um campo magnético de repulsão entre os trilhos e os módulos de levitação
que, no caso, são pastilhas supercondutoras que substituem as rodas. Para
fazer o trem flutuar, os cientistas resfriam os supercondutores a uma
temperatura negativa de 196 ºC com Nitrogênio líquido, criando o campo
magnético.
Atualmente existem apenas três tecnologias de
levitação em uso no mundo: a eletromagnética, utilizada desde 2003 na
ligação do Aeroporto Internacional de Xangai, na China, com o centro da
cidade; a eletrodinâmica, pesquisada pelos japoneses e que detém o recorde
de velocidade de trens com a marca de 581 quilômetros por hora; e a
supercondutora, pesquisada na COPPE. A tecnologia brasileira é a mais
recente.
No ano passado, o grupo, coordenado pelo
professor da COPPE Richard Stephan, apresentou ao BNDES o projeto de um
protótipo, a ser construído no campus da UFRJ, na Ilha do Fundão.
De acordo com o professor, “esta será uma
oportunidade para mostrar as pessoas que o veículo é seguro, eficiente e
pode vir a ser uma boa alternativa para centros urbanos”. Segundo ele, o
baixo custo do veículo, incluindo a implantação do sistema, é a principal
vantagem sobre outros meios de transporte similares. Enquanto a construção
de um metrô subterrâneo no Rio de Janeiro tem o custo de R$ 100 milhões por
km, os pesquisadores calculam que o sistema de levitação poderá ser
implantado por cerca de R$ 33 milhões, ou seja, um terço deste valor.
A grande vantagem, segundo Eduardo Gonçalves
David, pesquisador do Laboratório de Estudos e Simulações de Sistemas
Metroferroviários (LESFER), do Programa de Engenharia de Transportes da
COPPE, e um dos integrantes da equipe do projeto, é o consumo reduzido de
energia.
O
Maglev-Cobra, como está sendo chamado, consumirá 25 kJ/pkm (quilo-joules por
passageiro-quilômetro - unidade que mede a quantidade de energia gasta para
transportar cada passageiro a cada quilômetro). Para se ter uma idéia, o
consumo de um ônibus comum é de 400 kJ e o de um avião é de 1200 kJ. |