Para o Iedi, “com a força do
mercado interno vamos conseguir manter o bom crescimento”
“Esse aumento de renda formou um mercado interno de porte”, avaliou o
consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi),
Julio Sérgio Gomes de Almeida, comentando o crescimento de 20,4% registrado
na massa real de rendimentos, nas seis principais regiões metropolitanas do
Brasil, entre os anos de 2004 e 2007.
Segundo o economista, o aumento da renda registrado no país joga por terra
as suspeitas de que o crescimento do mercado doméstico do Brasil é apenas
uma “bolha”. O economista avalia ainda que, com o mercado interno
consolidado da forma que está, o país terá condições de enfrentar a atual
crise internacional, garantindo o crescimento. “Tendo a achar que a crise
será relativamente restrita à redução do crescimento americano, que nós fará
sofrer um pouco no setor externo, mas com a força do mercado interno vamos
conseguir manter o bom crescimento”, afirmou Almeida.
No relatório divulgado pelo Iedi, o Instituto analisa dois fatores
determinantes para o crescimento global da massa de rendimentos, quando
comparado o ano de 2007 com o de 2006, o aumento da população ocupada e o
crescimento do rendimento médio real das pessoas ocupadas.
Em dezembro último, a variação de pessoas ocupadas foi de 3,3% com relação
ao mesmo mês de 2006 e de 3% no acumulado de 2007. “Como em anos anteriores,
reside no emprego formal o destaque desses resultados”, ressaltou o Iedi. Em
dezembro a variação chegou a 6,5%, com 5,2% de crescimento no ano. A taxa de
desemprego de 7,4% da população economicamente ativa em dezembro foi a menor
já registrada pela pesquisa do IBGE.
BOLSA FAMÍLIA
Gomes de Almeida avalia que é possível que o aumento de renda tenha sido
superior a 20,4%, informando que a pesquisa mensal de emprego do IBGE, na
qual o Instituto se apóia para fazer os cálculos, não engloba locais fora
das áreas metropolitanas nem o aumento de renda resultantes de programas
como o Bolsa Família. O Iedi afirma que “o crescimento da massa de
rendimentos é de fato maior devido a outro fator: a complementação de renda
proporcionada pelos programas sociais como o Bolsa Família”.
O Iedi observou que “os números para o final do ano passado, quanto ao
emprego, não deixam dúvidas de que nessa área, há uma aceleração em curso”.
Segundo Almeida, os dados divulgados pelo IBGE mostram que o emprego chegou
ao final do ano passado “muito melhor do que começou” e a expectativa é que
o ano de 2008 registre um crescimento ainda maior. Ele destaca que, em
decorrência disso, foi registrado o crescimento na massa real de rendimentos
que ampliou o poder de compra da população e ampliou o acesso ao crédito.
“Diante disso, o crescimento do mercado interno não é uma bolha, mas reflete
um processo iniciado há quatro anos”, destacou.
Sobre o impacto benéfico que o crescimento da massa de rendimentos gera para
a economia, o Iedi destaca que “é relevante em si, pois significa uma
ampliação do poder de compra da população que diretamente influi na
performance de diversos e importantes setores da atividade econômica, como o
setor manufatureiro, a indústria de alimentos. Ademais, a maior massa de
rendimento em mãos da população abre maior espaço para que esta se dirija ao
setor financeiro e obtenha poder de compra adicional através do crédito.
Isso sustenta o consumo de outra ampla gama de produtos e setores da
economia, como bens duráveis, completando-se o ciclo de dinamização que a
maior massa real de rendimentos é capaz de gerar na economia”.
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