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Reitor da UFPR: Lippmann atenta contra a liberdade de expressão
“Estou aqui não apenas como cidadão,
mas como reitor de uma universidade que
foi um dos baluartes da defesa dos direitos democráticos desta Nação”, resgatou o reitor Carlos Moreira Júnior no ato contra a censura prévia ao governador Requião
A
censura à participação do governador Roberto
Requião na programação da TV Educativa do
Paraná, impetrada pelo desembargador Edgar
Lippmann, tem gerado protestos e manifestações
em todo o país através de entidades, lideranças
políticas, intelectuais, jornalistas e
personalidades das mais diversas áreas.
Para o reitor da UFPR (Universidade Federal do
Paraná), Carlos Moreira Júnior, “o que está em
jogo não é apenas uma situação de solidariedade
ou não ao governador, mas é uma defesa da
liberdade de expressão”. Em ato de desagravo a
Requião e protesto contra a censura, na última
quarta-feira, em Curitiba, o reitor disse que “o
direito da liberdade de expressão é um direito
que está consagrado na Declaração Universal dos
Direitos do Homem, no seu artigo 19, onde todo
ser humano tem o direito de livre expressão,
opinião, de informar e receber informações e
emitir informações e idéias por qualquer meio de
comunicação”.
“Estou aqui não apenas como cidadão, mas como
reitor de uma universidade que foi um dos
baluartes da defesa dos direitos democráticos
desta nação. Esta Universidade que sempre
defendeu o direito do homem”, disse o reitor.
Segundo ele, “o governador Requião poderia até
ter comprado tempo em tevê privada para fazer
suas manifestações. A Constituição lhe dá o
direito de fazer isso, mas não, preferiu não
gastar o dinheiro público, ele preferiu utilizar
um órgão de governo”.
A presidente do PT do Paraná, Gleisi Hoffmann,
que também participou do ato, reiterou em
entrevista na quinta-feira (24) o apoio “à
liberdade de manifestação do governador Roberto
Requião”. “Nós lutamos por este princípio há
muito tempo. Lutamos contra a ditadura. Muitos
dos nossos companheiros morreram pela liberdade.
Não podemos chegar num estado de direito, num
regime democrático e permitir que alguém não
possa expressar sua opinião, faz parte da
democracia”, disse Gleisi.
Para a atriz e coordenadora da Escola de Cinema
e Televisão do Paraná, Ítala Nandi, essa decisão
da Justiça “coloca em jogo a liberdade de
expressão que foi conquistada a duras penas”.
Segundo Ítala Nandi, falando sobre alegação do
juiz Edgar Lippman, de que o governador faz uso
pessoal da sua participação na TV Educativa e,
em especial, no programa Escola de Governo, do
qual ela participa junto com secretários de
Estado de diversas pastas, “eu nunca vi o
governador levantar a bandeira para falar dele.
Ele fala das obras que estão sendo feitas, das
que não estão sendo feitas. Nunca vi ele ficar
fazendo politicagem a favor dele”.
Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, Ítala
Nandi conta como funciona o programa Escola de
Governo: “O governador faz assinaturas de
alocações de verbas, de convênios, de tratados,
discute o que deve ser feito, o que cada
secretariado fez ou deixou de fazer, como estão
o andamento de obras, etc . E isso é apresentado
com um rigor muito grande. É coisa muito rara de
se ver isso aqui no Brasil, eu nunca tinha visto
isso”.
ANA BRAIA |