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Indonésios festejam fim do ditador Suharto, assassino de 1 milhão em conluio
com a CIA
As portas do inferno se abriram de par em par no
domingo dia 27 de janeiro para receber o ex-ditador da Indonésia, general
Hadji Mohamed Suharto, enquanto o povo festejava nas ruas o seu fim. Suharto
encabeçou o golpe de 1965 montado pela CIA, derrubou o presidente e líder da
independência Sukarno, assassinou 1 milhão de pessoas e submeteu o país por
três décadas. Também ficou célebre como um dos mais corruptos capachos dos
EUA, ao lado de figuras como Marcos, das Filipinas, e Mobutu, do então
Zaire. O presidente Sukarno foi derrubado no mesmo ano em nacionalizou o
petróleo.
Auxiliar de Sukarno, o general Suharto o traiu e
comandou o golpe no dia 30 de setembro de 1965, sob o pretexto de barrar o
“avanço comunista”. A matança teve início com as listas de nomes de
patriotas for-necidas pela CIA. Há quem considere, inclusive, que atingiu a
cifra de dois milhões de vítimas. A operação ocorreu nos moldes do que seria
feito no Vietnã (Operação Fênix) na mesma época; América do Sul (Operação
Condor) nos anos 70; América Central (Opção Salvador) nos anos 80; e, agora,
no Iraque e Afeganistão. Sukarno foi mantido sob prisão domiciliar até sua
morte, em 1970.
Em 1975, quando a Revolução dos Cravos em
Portugal varreu o fascismo salazarista e reconheceu a libertação das
colônias, Suharto, com o suporte dos EUA e da Austrália, mandou invadir o
pequeno Timor Leste. O número de mortos durante a ocupação chegou a 200 mil
– um-terço da população total.
Durante três décadas, a ditadura de Suharto
permitiu que os monopólios dos EUA fizessem uma farra no país e enriqueceu a
elite, enquanto a maioria da população vivia na miséria, mesmo o país sendo
produtor e exportador de petróleo. Em 1997, a depressão econômica provocada
pelo colapso neoliberal, que já havia antes assolado o México de Salinas e
Zedillo e chegou à Ásia, levou a uma revolta popular, que depôs Suharto em
maio de 1998.
Nas primeiras eleições após o fim da ditadura, a
líder da oposição, e filha do lendário presidente Sukarno, Megawati, foi
eleita presidente, mas só conseguiu assumir plenamente em 2001. O ex-ditador
Suharto faleceu aos 87 anos, de falência múltipla de órgãos, depois de 22
dias de agonia no hospital.
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