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Para Nassif, dossiê é armação
O colunista Luiz Nassif afirmou, em seu Blog,
neste fim de semana, que há fortes indícios de que o suposto dossiê, atribuído
pela revista “Veja” ao Palácio do Planalto, não passa de mais um “factóide” da
publicação dos Civita. “Se viesse de outro órgão - especialmente Estadão, Globo
e Época - pensaria duas vezes antes de apostar contra”, disse.
“Tanto na matéria da Folha quanto da Veja, não
havia uma indicação nem de onde veio o tal dossiê, nem quem foi chantageado por
ele. E essa ausência absoluta de informações acende a luz amarela em qualquer
jornalista com experiência em reportagem investigativa”, alertou Nassif. “Esses
são os fatos iniciais, nos quais me baseei para reforçar minha convicção de que
o tal dossiê é uma armação”.
Relatando uma conversa com “um dos mais
experientes repórteres políticos de Brasília”, o colunista acrescentou que,
segundo ele, “há inúmeras indicações de que o suposto dossiê pode ter sido
produzido por membros do governo anterior”. “A primeira, é que os papéis não
machucam ninguém. Apresentam apenas banalidades sobre os gastos de FHC. Depois
porque, pela descrição da ‘Folha’, percebe-se que foram extraídos de três bases
de dados diferentes, com três letras diferentes de computadores, com diferentes
tratamentos a dona Ruth”.
“Esses papéis não foram produzidos na Casa
Civil”, garante o repórter. “No máximo pode haver alguma coisa da base de dados
que foi juntada às treze folhas. A Casa Civil pode ter seu levantamento, mas não
é esse”, afirma.
“Já havia suspeitas de que o material
reproduzido pela “Folha” na quinta tivesse sido fornecido pela Veja. Primeiro,
pelo fato de nenhuma das duas empresas darem a menor dica sobre a proveniência
dos dados. Em qualquer jornalismo que se preze, não se entregam as fontes mas se
dão dicas sobre a origem da informação, como forma de situar o leitor. Ou do
Congresso, ou de fontes do Palácio, ou de fontes do antigo governo, qualquer
coisa que permita ao leitor saber o que estão lhe servindo”, argumenta a fonte
de Nassif.
Num outro reforço à opinião de que o suposto
dossiê seria uma fraude, Nassif divulgou uma carta do leitor do Blog, José
Augusto Zague, lembrando uma reportagem da “Folha de São Paulo” do dia 12/02.
Com o título “Acordo com o governo faz
ex-presidente atuar para restringir investigações da CPI”, a matéria da “Folha”
revela que Fernando Henrique mobilizou auxiliares numa varredura de dados. “O
presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reuniu-se com o secretário de
Organização do partido, Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência na
gestão FHC. Jorge ficou encarregado de coletar dados sobre o período e checar
que tipo de documentação estaria arquivada, assim como o acesso a ela”, diz a
matéria.
Para José Augusto, “a matéria da Folha mostra
que os tucanos também possuem uma base de dados sobre o período”.
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