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Djalma Santos, que jogador!
ARIOVALDO IZAC
Já
não há lateral-direito como antigamente - esbraveja um torcedor anônimo, no
estádio do Morumbi, inconformado de ver tantos erros de cruzamentos do jogador
de seu time.
Os
laterais chegam hoje ao fundo do campo com mais facilidade, mas raramente se vê
o cruzamento com efeito, pra trás, que pega o atacante de frente para o gol e o
zagueiro na linha paralela da bola.
No
futebol moderno, a expressão “lateral” está ultrapassada. Convenciona-se chamar
quem corre pelas beiradas do campo de “ala”, descompromissado com a atribuição
de marcar, até porque já não existem mais pontas.
Bons tempos, entretanto, quando a primeira obrigação do lateral era marcar e,
com a bola nos pés, sabia distribuí-la corretamente. E o capixaba Djalma Santos,
ex-Palmeiras, se encaixava rigorosamente neste perfil.
ASSÉDIO
Ele
era do tempo em que a Portuguesa não conseguia fugir do assédio dos grandes
clubes da Capital e vendia os passes de seus astros para os concorrentes.
Djalma, Zé Maria, Servilho, Leivinha, Ditão, Marinho Perez e tantos outros
desabrocharam no Canindé.
Djalma Santos tem o invejável histórico de 113 jogos na Seleção Brasileira. No
selecionado canarinho foi campeão mundial em 1958, e deixou na reserva o
ex-tricolor das Laranjeiras Jair Marinho (que passou, também, pela Portuguesa),
na Copa de 1962, e travou uma boa briga com Fidélis (ex-Bangu) para conquistar a
posição na Copa de 1966. Como se vê, concorrente da posição tinha que
“esquentar” o banco.
E
esta situação só começou a se reverter em meados da década de 70, quando o
esperto Eurico estava pronto para entrar no time palmeirense. E quem pensou que
aquele crioulo de cabeça arredondada fosse pendurar as chuteiras, se enganou.
Do
Palmeiras ficaram boas lembranças dos tempos de “academia do futebol”, jogando
numa defesa com Djalma Dias, Valdemar Carabina e Ferrari. Posteriormente,
entendeu que ainda tinha lenha pra queimar e fez questão de provar isso na
prática, no Atlético Paranaense, que montou um time de medalhões.
ESTATURA
No
rubro-negro do Paraná, Djalma jogou um ano ao lado do lendário zagueiro Belini.
E quando seu companheiro parou, Djalma se aventurou no miolo de zaga e a
experiência compensou a estatura só razoável para a posição. Aos 42 anos de
idade, com a perna já “enferrujada”, parou. E essa longevidade só é superada,
entre ex-palmeirenses, por Luiz Pereira, que, aos 43 anos, pelo São Bernardo,
corria atrás da molecada.
Hoje, já no time dos septuagenários, Djalma ainda veste calção e ensina a
molecada de Uberaba, em sua escolinha de futebol, os segredos da bola. Mas isso
só no período da manhã. À tarde prefere cuidar dos bichos de sua fazenda,
naquele município mineiro. Afinal, ninguém é de ferro.
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É jornalista em Campinas e colaborador do HP |