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Audiência pública debate e supera entraves
para construção de Angra 3
Audiência debateu estudos de impacto
ambiental para dar prosseguimento ao programa
nuclear brasileiro, que sofre ações jurídicas de
opositores do projeto
Mais
uma das barreiras burocráticas para o governo
retomar a construção da Usina Nuclear de Angra 3
foi superada na sexta-feira (28) com a
realização, na cidade de Ubatuba, da última das
quatro audiências públicas marcadas pelo
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para
discutir o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o
Relatório de Impacto no Meio Ambiente (RIMA).
A construção de Angra 3 faz parte do Plano
Decenal de Expansão de Energia Elétrica
(2006/2015) do governo federal e prevê o
acréscimo de 1.350 MW na capacidade instalada do
país, o que representa um terço da energia
consumida pelo estado do Rio de Janeiro. No
entanto, a Eletronuclear, estatal responsável
pela execução do projeto, corre contra o tempo
para que o empreendimento seja concluído até o
prazo estipulado (2013), sem prejuízos para o
crescimento econômico do país. Para isso, as
obras precisam iniciar ainda este ano.
TRÂMITES
Porém, assim como se observa em outros projetos
do governo para acrescentar novos MegaWatts ao
parque gerador brasileiro, a conclusão de Angra
3 esbarra nos trâmites burocráticos impostos
pela legislação – alguns justos – e outros
provocados pela ação jurídica dos opositores do
programa nuclear brasileiro.
A realização destas audiências é um exemplo.
Todas elas já haviam sido realizadas no ano
passado nos municípios de Angra dos Reis,
Paraty, Rio Claro e Rio de Janeiro. Além disso,
a Eletronuclear promoveu outras 17 reuniões
prévias. No total, mais de 3400 pessoas
participaram destas atividades.
Não satisfeito, e atendendo a um lobby de grupos
contrários a construção de Angra 3 – alguns
deles com ligações externas – o Ministério
Público Federal conseguiu uma liminar da 1ª Vara
Federal de Angra dos Reis, obrigando a
realização de uma nova rodada de audiências
públicas para dar prosseguimento ao
licenciamento ambiental do projeto, alegando que
não foram observadas todas as formalidades
legais na condução das audiências anteriores.
PARTICIPAÇÃO
A reunião ocorrida em Ubatuba contou com a
intensa participação de entidades populares
favoráveis à construção da usina, de autoridades
ligadas a órgãos federais como o Ibama e
Eletronuclear, de representantes do Ministério
Público e da secretaria do Meio Ambiente de São
Paulo e pessoas contrárias ao empreendimento, a
maioria ligada ao Greenpeace. Entre os
participantes da audiência estavam: Roberto
Messias Franco, diretor de licenciamento
ambiental do Ibama; Luiz Soares, diretor técnico
da Eletronuclear; e representantes do Sindicato
dos Metalúrgicos de Itatiba, CGTB, Instituto de
Engenharia de São Paulo, CNAB, CMB, entre
outros.
Durante a audiência foram debatidos os estudos
de impacto ambiental da usina, seguido de amplo
espaço para esclarecimentos e debates entre os
representantes de entidades apoiadoras da
construção de Angra e os de ONGs contrárias à
energia nuclear.
As alegações dos órgãos contrários à ampliação
da planta energética nuclear do país não são
novas e se concentram, principalmente, no
suposto dano ao meio ambiente que as usinas
poderiam causar. Outro argumento é que o governo
deveria investir em outras formas de geração de
energia, em especial, a eólica, que utiliza o
vento como força motriz. Uma integrante da ONG
estrangeira Greenpeace resumiu que eles são
contra a construção de Angra 3 “porque somos
contra a energia nuclear, contra Angra 3 e
contra o programa nuclear brasileiro”.
A repugnância da ONG estrangeira ao programa
nuclear brasileiro foi ironizado pelo
representante da Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CGTB), Carlos Henrique Pereira, que
indagou o motivo de tais grupos não condenarem
de forma enfática os programas nucleares de
países como os Estados Unidos, que priorizam a
construção de bombas atômicas. Durante toda a
audiência, uma faixa com a foto da moeda
norte-americana e com a inscrição - “Greenpeace,
paz verde: qual verde será esse” - foi segurada
por participantes.
DESENVOLVIMENTO
O representante da CGTB afirmou ainda que a
construção de Angra e de novas usinas em outras
regiões do país é estratégica para o Brasil,
pois estimula o desenvolvimento tecnológico,
agrega novas fontes de energia ao parque
nacional, possibilita a utilização da imensa
reserva de urânio da qual o Brasil dispõe (a
sexta maior reserva de urânio do mundo, estimada
em 309 mil toneladas, suficiente para alimentar
32 usinas nucleares como Angra 3 durante toda
sua vida útil) e é mais viável do que outras
fontes alternativas, como a eólica e solar, que
precisam de um grande espaço para a sua
implantação.
Além disso, conforme apontou o presidente da
Eletronuclear, Othon Pinheiro da Silva, em
artigo sobre o esgotamento de locais com
topografia adequada à construção de
hidrelétricas com grandes reservatórios, “alguns
ambientalistas bem intencionados, porém jejunos
em planejamento elétrico e econômico, apresentam
a energia solar e eólica como a grande solução
para atender o crescimento da demanda.
Esquecem-se os neófitos que estas formas de
energia, de forma similar à hídrica, embora
possam e devam contribuir para a produção,
também ‘agravam’ o problema da estocagem”.
ELETRONUCLEAR
Esta também foi a preocupação dos técnicos da
Eletronuclear, que buscaram demonstrar a
importância da diversificação do parque
energético brasileiro, que depende
majoritariamente da energia hídrica, com 83% da
eletricidade consumida no país advinda de
hidrelétricas. Segundo eles, a energia nuclear
se insere neste contexto e tornou-se uma
alternativa entre as térmicas, uma vez que as
termoelétricas convencionais, movidas com
combustíveis fósseis, tornaram-se uma
unanimidade (incluindo as ONGs) como fontes
energéticas altamente poluentes e com custo
semelhante às nucleares.
Mesmo não sendo novidade, os debates sobre a
diversificação das fontes energéticas e a
importância da energia nuclear para o país foram
aprofundados após o apagão de 2001 e,
recentemente, com o lançamento do PAC, que prevê
um crescimento econômico mais acelerado do país.
Para tanto, o governo federal estabeleceu metas
para a construção de novas usinas, apostando na
diversificação da planta para o fornecimento de
energia não depender exclusivamente do ciclo de
chuvas. Para sustentar um crescimento de 5,2%, o
Brasil precisa acrescentar 5000 MW por ano na
sua matriz energética.
HIDRELÉTRICAS
Embora mais barata, a energia hídrica enfrenta
algumas barreiras como o esgotamento dos locais
adequados para a implantação de grandes
hidrelétricas. Os poucos que restam estão
situados no Norte do país e devido ao terreno
plano podem causar a inundação de grandes áreas,
gerando prejuízos ambientais maiores e custos
mais elevados para transmitir essa energia para
os grandes centros. Segundo a Eletronuclear,
Angra não enfrenta este problema, pois está
situada a 220km de São Paulo, 130km do Rio de
Janeiro e 350km de Belo Horizonte. Com isso,
pode-se evitar a construção de extensas linhas
de transmissão, e a conseqüente perda de energia
na transmissão a longas distâncias aos maiores
pólos de consumo. |