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Dalai Lama opera para CIA há mais de 50 anos
Kenneth Conboy, em seu livro “A guerra secreta da CIA no Tibet”, relata
treinamento no estado americano do Colorado para preparação da guerrilha de
separatistas durante os anos 50
Há
meio século, o Dalai Lama mantém estreitas relações com o Departamento de Estado
dos EUA e a CIA, afirmou o pesquisador belga, Peter Franssen, em detalhado
estudo resumido pelo jornalista Michel Collon, do mesmo país.
“Foi a pedido da CIA e em troca de uma grande quantidade de
dólares que o Dalai Lama deixou seu país para se refugiar na Índia, apesar do
acordo com o governo de Pequim”, assinalou Franssen, descrevendo que a revolta
armada no Tibet planejada pela Agência para boicotar o desenvolvimento da
revolução chinesa estourou em 1959, depois de anos de preparo. O vínculo do
Dalai Lama com a espionagem norte-americana é hoje reconhecido publicamente e
contado no livro “A guerra secreta da CIA no Tibet”, de Kenneth Conboy,
publicado pela University Press of Kansas, em 2002, obra que até o especialista
da CIA, William Leary, definiu como “um estudo excelente e impressionante sobre
uma das operações secretas mais importantes da CIA durante a guerra fria”.
INSTRUÇÕES
“Foi decidido dar instrução em uma locação mais similar ao
seu ambiente nativo do que o clima tropical de Saipan. As elevações que mais se
aproximava à geografia do Tibet nos Estados Unidos são as Montanhas Rochosas, no
Colorado central”, relata Conboy.
O movimento encabeçado pelo Dalai Lama, apresentado pela
mídia norte-americana e suas repeti-doras como um agrupamento pacifista,
composto por monges que provocaram tumultos e destruição na capital do Tibet,
Lhasa, para reivindicar a “liberdade” e “independência”, foi, portanto, formado
com o apoio e sob treinamento dos serviços secretos norte-americanos.
Aliás, isto foi admitido pelo próprio Lama, conforme artigo
publicado no New York Times, em 2 de outubro de 1998. O jornal informou que ele
“assumiu hoje ter recebido US$ 1,7 milhões por ano durante os anos 1960 da
Agência Central de Inteligência [CIA]”.
“O dinheiro alocado”, acrescenta o NYT, “foi gasto no
treinamento de voluntários e para pagar operações de guerrilha contra os
chineses, afirmou, através de uma declaração, o governo tibetano no exílio”.
O NYT diz ainda que uma verba que aparece nos papéis da CIA
como favorecendo diretamente ao Dalai Lama “era destinada à instalação de
escritórios em Genebra e Nova Iorque e em lobby internacional”.
“O programa encoberto de apoio ao movimento de
independência tibetano era parte de um esforço mundial da CIA para minar
governos comunistas, particularmente na União Soviética e China”, finaliza o
jornal norte-americano.
“A CIA tinha um campo de treinamento em Colorado, nos EUA,
onde formava centenas de tibetanos em técnicas terroristas. Esse programa se
desenvolveu até 1961”, disse Franssen, esclarecendo que, longe de ser
desativa-do, o serviço fornecido pelos americanos ainda produz situações como o
motim causado nos primeiros dias do mês de março em Lhasa. “A CIA mantém também
o conflito de baixa intensidade (LIC), organizando provocações, arruaças,
divulgando mentiras”, denunciou, lembrando que somente se modificaram os métodos
e as táticas, como foi visto no circo armado por outra agrupação financiada pela
CIA, os Repórteres Sem Fronteiras, na Grécia, na cerimônia que acendeu a chama
olímpica.
A CIA não teve como executar suas ações criminosas em
segredo e ganhou a condenação do mundo por sua atuação no programa Phoenix, no
Vietnã, que custou a vida de 26.000 lideranças, principalmente em Saigon, no
final dos anos 60; no golpe de Estado contra o presidente Allende no Chile, e na
sustentação aos esquadrões da morte na América Latina. “Por isso, para desviar a
atenção, uma parte das atividades da CIA foram transferidas a um novo organismo,
chamado cinicamente National Endowment for Democracy (NED, Fundo Nacional pela
Democracia)”, prossegue Franssen. A NED foi criada em 1984, sob a administração
Reagan e, desde então, grande parte do apoio financeiro ao movimento tibetano
passou a sair dessa fonte, destinando US$ 2 milhões anuais para os separatistas.
“A NED também financia, entre outros, a International
Campaign for Tibet (ICT), uma organização cujo objetivo é influenciar a opinião
pública mundial a favor do Dalai Lama. O Conselho de administração da ICT está
formado pelo agente da CIA e presidente checo Vaclav Havel e pelo antigo
presidente da Lituânia, Vytautas Landsbergis”, revela o especialista.
LISTA
A lista é grande. O Tibet Fund, outra organização que tem
como objetivo convencer os tibetanos e o resto do mundo sobre a ‘legitimidade’
do Dalai Lama, também é bancada pela NED. Em 2001, Sharon Bush era sua diretora:
nada mais e nada menos que a cunhada do atual ocupante da Casa Branca.
A Tibetan Literary Society (Sociedade literária tibetana)
recebe fundos da NED para a publicação do jornal Bod-Kyl-Dus-Bab (Tibet Times) .
Na folha de pagamento da NED ainda aparece o Tibet
Multimedia Center, que difunde fitas de áudio e vídeo com mensagens do Dalai
Lama, e o Tibetan Review Trust Society para realizar suas emissões em tibetano
e em chinês.
Eles não fazem questão de esconder tudo. No informe da
própria NED de 2006 (http://www.ned.org/grants/06programs/grants-asia06.html#chinaTibet),se
observa que 5 organizações tibetanas receberam fundos que, conjuntamente,
ascendem a 173.000 dólares. Pode se imaginar quanto eles não confessam.
O Dalai Lama e seu entorno também recebem grandes somas de
dinheiro do Bureau of Democracy, Human Rights and Labor (DRL) - Escritório para
a Democracia, os Direitos Humanos e o Trabalho) do Departamento de Estado
norte-americano. Uma quarta parte de todo dinheiro que sai do DRL está destinada
a organizações catalogadas como defensoras da «democracia e dos direitos
humanos» na China. Em sua maior parte, se trata de organizações tibetanas. “No
ano passado, o DRL distribuiu 23 milhões de dólares”, informa Franssen,
remetendo para o endereço: http://tibetfund.org/annual_reports/2005 report/2005_annual
report.pdf
Em 2005, o defensor da democracia e da liberdade Dalai Lama
recebeu diretamente 500.000 dólares desse fundo.
SUSANA SNATOS |