|
Cristina Kirchner anuncia medidas de
incentivo para o pequeno produtor rural
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou na
segunda-feira novas medidas econômicas que incluem compensações e incentivos
aos pequenos agricultores do país.
Entre as medidas anunciadas por Cristina está a isenção do
aumento de impostos, para os pequenos agricultores cultivadores de soja e
girassol que produzam até 500 toneladas. Os impostos – anunciados no dia 11
de março-vão incidir sobre as grandes propriedades rurais. Além disso, será
subsidiado o transporte de cerca de 50% das colheitas beneficiando os
produtores do norte do país, que arcam com pesadas despesas para trazer os
produtos para o embarque rumo à exportação.
Também foi anunciada a criação da Subsecretaria de
Desenvolvimento Rural, que apoiará os pequenos agricultores.
Há 20 dias, a Sociedade Rural Argentina – que reúne os 80
proprietários que controlam 70% do total exportado – organizam um locaute
para fazer com que o governo argentino recue das medidas, que visam o
fortalecimento do mercado interno e a diversificação da agricultura. Na
Argentina, descreveu Cristina, dos 30 milhões de hectares cultivados 45%
está dedicada ao cultivo de soja e 95% dessa produção é exportada. No
entanto, os alimentos mais consumidos pelos argentinos são o trigo, o milho,
a carne e o frango – que estão sofrendo as pressões inflacionárias por causa
da monopolização do campo para o cultivo da soja.
A presidente acrescentou que antes da adoção do imposto
móvel – que varia de acordo com o preço internacional dos produtos – os
produtores de soja estavam recebendo 237 dólares por tonelada e agora, mesmo
com o aumento dos impostos, ganham 279 dólares.
“Isso quer dizer que a totalidade dos produtores, sejam
pequenos, médios ou grandes, mesmo com o imposto, não tiveram perdas”, disse
Cristina.
O subsecretário de Integração Econômica, Eduardo Sigal,
declarou que “está se produzindo uma transformação muito profunda, e isto
têm gerado resistência de setores monopolistas. Há um locaute patronal dos
setores do campo e isso requer uma resposta contundente do povo argentino”.
Na Argentina, 2% dos produtores concentram 55% das terras.
Por outro lado, 85% dos pequenos e médios produtores são proprietários de
apenas 10% da terra. |