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Barack Obama
diz que McCain seria ‘um 3º mandato de Bush’
O líder
democrata destacou que McCain “está grudado nas políticas do passado e nós
já estamos no futuro” e referiu-se à inclinação do republicano para
pendurar-se na fracassada guerra de Bush e no seu desastre econômico
No momento em que alguns setores do Partido
Democrata,
inclusive seu presidente Howard Dean, se mostravam preocupados sobre a
delonga na escolha do candidato do partido, o senador Barack Obama – que
lidera na disputa com Hillary Clinton - acertou a mira no que interessa. Ou
seja, John McCain, o candidato republicano, e sua pretensão de cumprir “um
terceiro mandato de Bush”. Praga à qual, Obama advertiu, o povo dos Estados
Unidos “não podia se dar ao luxo”.
Em um comício em Allentown, o líder democrata se
referiu a essa inclinação do republicano a se pendurar na fracassada guerra
de Bush e no seu desastre econômico, destacando que McCain “está grudado nas
políticas do passado e nós já estamos no futuro”. Lembrando a bravata sobre
uma ocupação de “100 anos” no Iraque (como se os iraquianos fossem deixar),
Obama denunciou que, se dependesse de McCain, “não haveria retirada”, pois
ele tem “repetidamente chamado de rendição qualquer sugestão de retirada das
tropas”.
“SENTAR E
OLHAR”
Já em Greensboro, nas palavras da “Associated
Press”, “Obama ridicularizou o candidato rival republicano a presidente John
McCain” por sua atitude de “sentar e olhar” os “problemas econômicos que
afligem a nação”. O líder democrata disse a um auditório lotado que McCain
“admitiu que não entendia de economia e ontem provou isso com seu discurso
sobre a crise da moradia”. Ele acrescentou que McCain propôs que “o melhor
caminho para enfrentarmos o fato de que milhões de americanos estão perdendo
suas casas é sentar e ver o que acontece”. No seu discurso inteiro,
denunciou o pré-candidato democrata, McCain “não ofereceu uma só política,
uma única idéia que fosse, uma gota sequer de alívio para os quase 35 mil
habitantes da Carolina do Norte que foram forçados a entregar suas casas nos
últimos três meses”.
A primária em Nova Carolina irá ocorrer no dia 6
de maio, com 115 delegados em disputa. Como assinalou Obama, “McCain pode
considerar favorecimento escuso a ajuda às pessoas ameaçadas de perder sua
casa própria, mas eu não acho que as famílias da Carolina do Norte que estão
perdendo seus lares vêem isso desse modo”. Havia muitos estudantes na
platéia em Greensboro. Antes deles, na década de 60, manifestações dos
estudantes negros contra o apartheid se alastraram por todo o sul, a partir
dessa cidade.
Na realidade, a declaração de McCain foi mui to
mais cínica. “Não é dever do governo salvar e premiar aqueles que agem
irresponsavelmente, sejam grandes bancos ou pequenos tomadores de
empréstimos”, afirmou o republicano. Como se houvesse alguma paridade entre
“grandes bancos” e “pequenos tomadores de empréstimos”. Como se McCain não
fosse o candidato do governo que já torrou US$ 400 bilhões com bancos
quebrados, que doou US$ 30 bilhões ao JP Morgan Chase para encaçapar o
falido Bear Stearns, mas que não libera um centavo para milhões de chefes de
família que perderem, ou estão à beira de perder, suas casas, porque foram
vítimas de fraudes hipotecárias organizadas em massa pelo sistema financeiro
dos EUA e sob garantia “triplo-A” das agências de classificação de “risco”.
Mas, como diz o candidato de Bush, “não farei um jogo eleitoreiro com a
crise da moradia”. Isto é, entreguem logo suas casas aos bancos.
Obama recebeu novos apoios, aproximando o
momento da decisão da escolha da candidatura democrata à presidência dos
EUA. O senador Bob Casey, da Pensilvânia, estado em que Hillary se considera
a favorita nas prévias, decidiu apoiá-lo. Nesse estado, as prévias vão
acontecer no dia 22 de abril. Também recebeu o apoio da senadora Amy
Klobuchar, de Minnesota. Por sua vez, o senador Chris Dodd, de Connecticut,
ex-pré-candidato a presidente e ex-presidente do partido, afirmou que a
indicação de Obama “é uma conclusão que já está dada”. O senador Patrick
Leahy, de Vermont, não apenas deu seu apoio a Obama, como também sugeriu que
já era hora de Hillary abrir mão da disputa. A senadora, que insiste em
pleitear a indicação, reiterou que o Partido Democrata “estará unido seja
quem for o indicado”.
No dia em que a guerra de Bush completou cinco
anos, Obama lembrou em discurso na Universidade de Charleston que “os
americanos comuns estão pagando o preço dessa guerra”. “Quando você gasta
mais de US$ 50 para encher o tanque do seu carro porque o preço do petróleo
está quatro vezes maior do que antes do Iraque, você está pagando o preço
dessa guerra”, ressaltou. Como exemplo desse custo, ele também apontou
“bairros em que todas as casas têm placas de ‘vende-se’” e a dívida dos EUA
“na estratosfera”. “Os mais de US$ 10 bilhões que estamos gastando todo mês
no Iraque é um recurso que deveríamos estar investindo aqui dentro do nosso
país”, conclamou.
ANTONIO PIMENTA |