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Morte por dengue na cidade do Rio é 20 vezes
maior do que a admitida pela OMS
Das 44
vítimas fatais da dengue até agora, 23 são crianças. Taxa de mortalidade,
segundo Ministério da Saúde, está em 20%, enquanto o admitido pela OMS é de até
1%. “Quero chamar a atenção para a epidemia no Mato Grosso do Sul,
proporcionalmente maior, que teve apenas um óbito. Lá tem atenção básica
organizada, com alcance de 70% da população do Programa de Saúde da Família”,
afirmou Gomes Temporão
A
epidemia de dengue na cidade do Rio de Janeiro causou a morte de mais 13 pessoas
apenas na última segunda-feira, elevando para 44 o número de vítimas letais da
doença desde o início do ano. Do total de mortos até agora, 23 são crianças.
“O
número de casos e de letalidade são maiores. A subnotificação leva a uma
resposta fragilizada dos órgãos de saúde”, afirmou o ministro da Saúde José
Gomes Temporão. O município do Rio já registrou, até o último final de semana,
32.689 casos de dengue.
De
acordo com o ministro, o agravamento da situação no município do Rio é ainda
mais preocupante pelo fato de que o índice de mortalidade referente aos casos de
dengue hemorrágica é 20 vezes maior do que o percentual tolerado pela
Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o órgão, este índice está em 20%,
enquanto o admitido pela OMS é até 1%.
“A OMS
estabelece como aceitável a letalidade de 1% das pessoas enfermas com a forma
hemorrágica”, afirmou o ministro. “Quero chamar a atenção para a epidemia no
Mato Grosso do Sul, proporcionalmente maior, teve apenas um óbito. Lá tem
atenção básica organizada, com alcance de 70% da população do Programa de Saúde
da Família. No Rio, o tratamento está centrado na urgência e emergência. A
fragilidade da rede básica com certeza cumpre papel importante no índice de
mortalidade no Rio”, afirmou Temporão.
O
descaso da Prefeitura, que desestruturou a rede de atendimento primário de
Saúde, não aderiu ao programa Saúde da Família e ainda deixou de investir mais
de R$ 5 milhões destinados pelo Ministério da Saúde ao combate à dengue no ano
passado, como divulgou o relatório do Tribunal de Contas do Município na semana
passada, levou à mobilização dos governos estadual e federal, que atuam com o
apoio das Forças Armadas para tentar controlar a epidemia que se alastrou pela
capital fluminense.
Em seu
primeiro dia de funcionamento, os Hospitais de Campanha instalados pela Marinha,
Exército e Aeronáutica notificaram pelo menos 405 atendimentos. O Hospital de
Campanha da Marinha realizou 226 atendimentos e constatou 201 casos de dengue.
Além disso, várias tendas foram instaladas para aplicar soro em pacientes com
diagnóstico de dengue.
O
ministro Temporão descartou a possibilidade de ocorrer uma epidemia como a do
Rio em outros municípios do país: “Não há risco de epidemia fora do Rio. Estamos
monitorando e oficiando as outras prefeituras em todo o Brasil com o combate
constante ao vetor e orientações de assistência. Faremos isso o ano inteiro e de
forma continuada para melhorar a qualidade e reduzir a letalidade”.
Para
evitar o óbito de mais crianças, o secretário de Estado de Saúde e Defesa Civil
do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes, anunciou que o Rio está solicitando ao
Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) 154 pediatras a outros
estados para reforçarem o atendimento a crianças com dengue, que estão sendo as
principais vítimas da doença.
Além
disso, Côrtes anunciou que o Estado vai abrir mais 92 leitos pediátricos de
enfermaria no Hospital Anchieta e a inauguração, ainda esta semana, dos centros
de hidratação do Hospital Getúlio Vargas, com 116 pontos; do Instituto de
Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), na Gávea, com
24 vagas; e do Posto de Assistência Médica (PAM) Del Castilho, para suporte do
Hospital Salgado Filho, com outros 24 pontos de hidratação. Os novos centros
totalizarão cerca de 400 poltronas. “Nós estamos tentando fazer um cinturão”,
disse.
JÚLIA CRUZ
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