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Trabalhadores
conquistam o reconhecimento das Centrais
Artigo que delegava ao TCU a fiscalização das contribuições foi vetado pelo
presidente. “Não tem porquê não acreditar que o trabalhador seja capaz de fazer
a fiscalização”, declarou Lula
"Há algumas coisas
que nós fazemos, quando temos oportunidade de fazer, que cheira muito à questão
de princípio, a coisa que você acreditou a vida inteira. Quando chegou o
resultado da votação no Congresso Nacional, eu não tinha dúvida da necessidade
de vetar a fiscalização do Tribunal de Contas no movimento sindical. Primeiro,
porque eu nasci no movimento sindical, desde 1969, defendendo a liberdade e a
autonomia sindical. Segundo, porque sofri duas intervenções no Sindicato,
enquanto presidente, e vivi, mais os companheiros, sofrendo outras intervenções
no Sindicato”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no encontro com
dirigentes das Centrais, na quarta-feira (2).
A reunião em
Brasília ocorreu dois dias após a publicação no Diário Oficial da União da Lei
11.648, que dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais. O PL
1.990/07 foi sancionado pelo presidente Lula, com veto ao artigo 6º, que
determinava que as entidades sindicais deveriam prestar contas ao Tribunal de
Contas da União (TCU) sobre os recursos da contribuição sindical.
Na mensagem
encaminhada ao presidente do Senado Federal, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN),
Lula expõe a razão do veto: “a Constituição veda ao Poder Público a
interferência e a intervenção na organização sindical, em face o princípio da
autonomia sindical, o qual sustenta a garantia de autogestão às organizações
associativas e sindicais”.
Na reunião com os
sindicalistas, Lula lembrou que em 1980 o Sindicato dos Metalúrgicos de São
Bernardo sofreu intervenção. O então ministro do Trabalho, Murilo Macedo,
percorreu os bancos onde o Sindicato tinha conta “para ver se pegava alguma
coisa errada”, mas encontrou foi um exemplo de boa administração.
CAPACIDADE
“Imagina se a cada
vez que chegar uma eleição, a cada vez que chegar uma campanha eleitoral no
sindicato, alguém toma a decisão de fiscalizar, quando nós estaremos tirando do
trabalhador o direito de propor em assembléias mecanismos de fiscalização. Não
tem porquê não acreditar que o trabalhador seja capaz de fazer a fiscalização.
Por isso é que eu vetei”, observou Lula, acrescentando incisivo: “Da mesma forma
eu pensei, quando vetei a emenda nº 3”.
O presidente afirmou
ainda que pretende se reunir com as Centrais até o dia 24 para discutir as
negociações no setor público, regulamentação do direito de greve, entre outras
questões referentes ao servidores.
“Parabéns aos
companheiros deputados que votaram, parabéns aos sindicalistas que conquistaram
e parabéns ao governo que contribuiu para que a gente pudesse ter o dia de
hoje”, finalizou.
O presidente da
Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (Paulinho), disse que “o momento
é de agradecimento. O presidente Lula mostrou coragem ao vetar o artigo que
estabelecia a fiscalização das entidades sindicais pelo TCU. O presidente fez
isso lembrando o seu passado. Hoje nós temos um governo bom, progessista, mas
pode ser que amanhã tenhamos um governo ruim, querendo intervir nos sindicatos.
Não que nós tenhamos medo, mas quem tem fazer o controle é o trabalhador”.
Na avaliação do
presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, “o
reconhecimento das Centrais foi um avanço. Agora, temos que continuar a luta
pela reforma sindical, pela aprovação das Convenções 151 e 158 da OIT, garantir
o direito de negociação dos servidores públicos e de organização nos locais de
trabalho”.
GETÚLIO
Para o presidente
da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, Lula foi
corajoso ao apoiar as Centrais e o ministro Carlos Lupi está devolvendo a
identidade do Ministério do Trabalho constituído por Getúlio Vargas. “Hoje, Lula
tem cumprido um papel bastante similar à época da Revolução de 30, que tirou o
Brasil da dominação dos ingleses. Getúlio estabeleceu a legislação trabalhista,
desenvolveu a indústria, fortaleceu o mercado interno e criou a Petrobrás. No
governo Lula as Centrais foram reconhecidas, a Petrobrás atingiu a
auto-suficiência, o crescimento é baseado no mercado interno e vai agora vai
aproveitar a crise norte-americana para fortalecer mais o país, continuar
reduzindo os juros e continuar com a política de substituição de importações”,
frisou.
Ao destacar que a
unidade das Centrais foi a questão decisiva para a vitória, Neto disse que “cada
uma teve que ceder um pouco. Mas temos que reconhecer que quem mais cedeu foi a
CUT e parabenizo os companheiros por isso. O trabalho no Congresso foi
fundamental. O Paulinho parecia que tinha anos de Casa. Sua atuação foi
essencial para aprovação do projeto”.
“Gostaria de
agradecer ao presidente Lula, ao ministro do Trabalho Carlos Lupi e aos
deputados pelo reconhecimento das Centrais. O governo Lula tem como objetivo
melhorar as condições de vida do trabalhador. Durante muitas décadas, o Brasil e
a União Soviética foram os países que mais cresceram no mundo. Os trabalhadores
tinham uma participação na renda nacional de cerca de 60%. A situação mudou até
cair para 30% nos últimos anos. Mas o governo Lula está invertendo tudo de novo
e está fazendo história. A partir de agora, o dia 31 de março não vai mais ser
lembrado como o dia do golpe de 64, mas como o dia em que foi publicada a lei de
reconhecimento das Centrais”, sublinhou o diretor de Comunicação Social da Nova
Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sebastião Soares da Silva.
Segundo o vice-presidente da União Geral dos
Trabalhadores (UGT), Antonio Carlos dos Reis (Salim), “os sindicatos são
fundamentais para a democracia. Com o reconhecimento das Centrais, a democracia
vai se aprofundar ainda mais. É importante registrar que tudo isso começou na
Conclat. A legalização das Centrais é uma vitória de 30 anos”.
VALDO ALBUQUERQUE |