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Não submissão
à Alca livrou Brasil da quebradeira ianque
O
ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a política de
diversificação de mercados imprimida pelo governo do presidente Lula tornou
o Brasil menos vulnerável aos efeitos da crise norte-americana, ao contrário
dos países que firmaram acordos de livre comércio com os EUA. “Há um
trabalho do Center for Economical and Policy Research que diz que a crise
americana provocará impactos em todos os países das Américas, mas os
impactos mais agudos serão sentidos pelas economias mais integradas pelos
Estados Unidos, aquelas que mantêm acordos de livre comércio com os Estados
Unidos”, disse Amorim na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social. Logo que foi eleito no primeiro mandato, o governo Lula impediu que
o país fosse submetido à Alca, como queria seu antecessor, FHC.
O ministro
destacou que o comércio do Brasil com os países do Mercosul cresceu a ponto
de atualmente ser considerado mais importante que os Estados Unidos. Quanto
à América Latina e Caribe, as relações comerciais cresceram 262% no governo
Lula, tornando a região mais relevante do que a União Européia.
Amorim lembrou,
em entrevista recente, que o economista Albert Fishlow (da Columbia
University) “disse que o desenvolvimentos dessas relações sul-sul é uma das
razões pelas quais o Brasil encontra-se menos vulnerável aos problemas na
economia americana. Fishlow sempre defendeu a Alca, no lugar de nossas
iniciativas como a relação especial com a China, a África, os países árabes
e sobretudo com a própria América do Sul. Quando ele fala agora sobre o
Brasil e a crise americana, não há a menor dúvida de que optamos pelo
caminho certo. Ao criarmos o G-20, acabamos por extrapolar o âmbito da
Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso nos valeu uma credibilidade
enorme com os países em desenvolvimento, que acaba enfim se refletindo no
clima dos negócios. Entre 2003 e 2007, num contexto em que as relações
comerciais do Brasil cresceram como nunca, a participação dos países em
desenvolvimento no montante de nossas exportações, que era de 45%, trocou de
posição com a dos países desenvolvidos, que correspondia a 55%. Hoje é
exatamente o contrário, o que nos deu um colchão para enfrentar a crise. A
maioria dos economistas está dizendo agora que a esperança de crescimento do
mundo reside nos países emergentes. E veja que não são economistas de
esquerda, não são os alternativos”.
Quanto à diferença entre a política externa do
governo Lula em comparação à de FHC, Celso Amorim disse que “mudaram as
ênfases e as intensidades com que certos temas são tratados. Quando eu era
embaixador na ONU, o Brasil sempre teve proximidade com os africanos. Não se
pode dizer, portanto, que a boa relação com a África é uma invenção do
governo atual. Agora, vá comparar a intensidade dessa relação antes e
depois. Os países árabes eram antes uma coisa distante. Agora somos
convidados para a Conferência de Annapolis sobre Oriente Médio. Não me
consta que no passado isso ocorresse. No segundo dia do governo Lula,
criou-se o foro Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). Não é coincidência que, à
exceção daqueles diretamente envolvidos na problemática da região, os únicos
três países convidados logo de início para Annapolis tenham sido justamente
Índia, Brasil e África do Sul. Isso tem um impacto em toda a política
internacional”. |