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Álvaro Dias declara que não
importa se foi ele quem vazou dados sigilosos para a mídia
O senador Álvaro Dias (PSDB/PR) admitiu,
nesta quarta-feira, ter recebido o dossiê sobre gastos sigilosos da
presidência na gestão de Fernando Henrique. No entanto, quando questionado
no plenário do Senado sobre o vazamento das informações, recorreu a
respostas evasivas na tentativa de eximir-se da responsabilidade.
“Os senadores não são obrigados a prestar
informações sobre o que recebem. Se um parlamentar vazou informações para a
imprensa, o fez dentro de suas atribuições parlamentares”, disse.
Ao tomar conhecimento de uma nota veiculada no
blog de Ricardo Noblat, atribuindo o vazamento ao tucano, o 1º
vice-presidente do Senado, Tião Viana, ocupou a tribuna para cobrar
explicações sobre seu conteúdo. Sem confirmar nem desmentir o repasse das
informações à imprensa, Dias buscou sair da saia justa fazendo galhofa.
“Eu tenho certeza absoluta que o senador (Tião
Viana) não me imagina travestido de James Bond, forjando senhas e
bisbilhotando computadores do governo. Essas virtudes hollywoodianas eu não
tenho. Eu afirmei que tinha visto o dossiê”, disse, alegando que não
discutiria se o vazamento foi obra da oposição.
Logo após, ao falar com jornalistas, o senador
evitou negar categoricamente que fosse culpado pelo vazamento: “Não aceito
esse questionamento: se fui eu, se não fui eu, quem é fonte primária, quem é
fonte secundária. Isso não importa”.
“O senador Álvaro Dias tentou fazer um
contorcionismo político para tentar explicar algo que na verdade começa a se
delinear como um fato completamente diferente do que foi inicialmente
tratado. Nós temos aqui um fato de espionagem”, afirmou o líder do governo,
Romero Jucá (PMDB/RR).
A líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC),
cobrou o nome de quem teria entregue as informações para a oposição. “Se nós
queremos que esse assunto seja definitivamente esclarecido, está agora na
mão e no poder do senhor Álvaro Dias dizer quem andava circulando e quem
tinha os documentos”, assinalou.
A base aliada vai exigir da presidente da CPI da
Tapioca, senadora Marisa Serrano (PSDB/MS), o depoimento do tucano na
comissão, para que seja interpelado a revelar o nome de quem teria repassado
o dossiê para a oposição, além de deixar claro por que teve acesso às
informações sem revelar à CPI. |