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Membro do
Conselho Municipal de Saúde denuncia privatização do setor em S.Paulo
“A intenção
da Prefeitura era compor o Conselho Municipal da Saúde para que ele atuasse
de acordo com seu interesse: a terceirização da saúde pública de São Paulo”,
afirmou Fábio Souza, membro do Sindicato dos Psicólogos de São Paulo e
conselheiro municipal de saúde.
Em entrevista ao
HP, no último dia 2, Fábio relatou os entraves impostos pela Prefeitura para
que o novo conselho não tomasse posse, e denunciou a privatização dos
serviços de saúde promovida no município de São Paulo: “Eles estão a todo
vapor. Tudo está sendo destinado às OS’s (Organizações Sociais), que não
prestam conta à população, e não são cobradas pelo secretário de Saúde. Já é
público que eles querem é entregar a saúde para que as OS’s façam a gestão”,
afirmou.
Fábio destacou a
privatização das AMA’s (Assistência Médica Ambulatorial), e o desmantelamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS): “Eles estão maquiando as UBS’s. A
gente vê, a cada dia, a inauguração de uma AMA nova. Na verdade, não existem
AMA’s novas. O que ocorre é a divisão das Unidades Básicas na metade,
transformando-as em AMA’s. Isso tudo faz parte de uma lógica de entregar o
serviço de saúde que não será fiscalizado, não será acompanhado pelos
trabalhadores e não visa a promoção e a prevenção em saúde, somente o
cuidado imediato”, afirmou Fábio Souza.
Ou seja, a
Prefeitura não só deteriora o atendimento médico com a falta de investimento
nas UBS’s, como descarrega o dinheiro público em umas tais organizações
sociais, causando o esvaziamento de profissionais nas Unidades Básicas de
Saúde. “Isso significa a inversão do sistema de saúde, porque na AMA o
paciente trata apenas dos sintomas em detrimento da resolução do problema, o
que tem, inclusive, elevado cada vez mais os registros de reclamações desses
serviços”, afirmou.
De acordo com
Fábio, essa política “não contempla a saúde da população porque é necessário
um trabalho contínuo de prevenção na saúde”. Além disso, declarou, “as
AMA’s, não dialogam com outros setores da saúde, isto é, cada AMA tem uma
administração diferente, as contratações são diferentes e o atendimento é
diferente”.
Fábio ressaltou
que o desafio agora é exigir a necessária regulação da AMA com as outras
unidades de saúde, “ainda mais quando elas estão terceirizadas”, concluiu.
JÚLIA CRUZ |