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CGTA defende medidas para equilibrar atividade agrícola
Se as retenções fossem eliminadas e as também
compensações, através das quais o governo busca equilibrar a produção
agrícola, o efeito inflacionário seria enorme, assinalou Hugo Moyano,
presidente da CGTA, avalizando o aumento do tributo de 9,1% para a
exportação soja e de 7,1% para o girassol, e a compensação para que o setor
leiteiro, entre outros, possa produzir a preços acessíveis.
“Sem as retenções, os preços do óleo de girassol
e de soja se multiplicaria por três, o pão aumentaria 25%, o leite cerca de
60% e a carne bovina e de frango, subiriam aproximadamente 50%. Ocorreria em
3 meses a inflação de um ano. E tudo isso iria para o bolso de poucos
exportadores, prejudicando milhões de trabalhadores. O país não é
propriedade desses aproveitadores”, disse o sindicalista.
Na Argentina, 2% dos produtores concentram 55%
das terras e 85% dos pequenos e médios produtores são proprietários de
apenas 10% das terras, processo radicalizado nos anos noventa, sob o governo
do entreguista Carlos Menem. Na segunda-feira passada, o governo anunciou a
isenção do aumento dos impostos para os pequenos produtores de soja e
girassol, que produzam até 500 toneladas.
O campo argentino possui uma fertilidade
excepcional, frisou o reconhecido historiador Norberto Galasso, assinalando
que “a capa de húmus dos pampas e outras regiões do país, converte o nosso
campo nas pradarias mais produtivas do mundo, que também tem um clima
propício que evita o gasto em telhados e outras formas de proteção dos
animais”. Galasso expressou que era consenso nas rodas dos especialistas que
“o que custava na Argentina produzir um quilograma de carne custava cinco
vezes mais na França”. O historiador mostrou que “os produtores argentinos,
em relação aos preços dos mercados mundiais, obtém, quando vendem ao
exterior, não só lucros normais, mas também rendas diferenciais, e é sobre
elas que se produz hoje a ação do governo”.
Horas depois da enorme demonstração de apoio ao
governo, foram realizadas assembléias de produtores, e os pequenos e médios
agricultores que participavam dos bloqueios de estradas tomaram a iniciativa
de normalizar a situação, forçando a suspensão do locaute. “Está se
entorpecendo o abastecimento normal de alimentos nas cidades e chegou o
mento de mudar o ângulo do protesto”, reconheceu Pedro Apaolaza, presidente
da Confederação de Associação Rurais de Buenos Aires e Pampa. |