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Escritor americano Gary Wilson:
“Eventos de 59 no Tibet são similares aos da invasão da Baía
dos Porcos em Cuba”
Seguem os melhores trechos de dois artigos (“Por Trás da Campanha
Anti-Olimpíadas na China” e “O Tibet e a Celebração do Levante da CIA de 10
de março”) do jornalista norte-americano Gary Wilson, publicado
originalmente no site da organização “IACenter”, presidida pelo ex-ministro
da Justiça dos EUA, Ramsey Clark
O que está ocorrendo no Tibet tem sido preparado
há tempo. Uma ‘conferência’ foi realizada em Nova Déli, Índia, em junho de
2007, pelos ‘Amigos do Tibet’. Foi descrita como uma conferência pela
separação do Tibet.
O site de notícias ‘phayful.com’ relatou na
época que a conferência foi marcada pelo lema de “como as Olimpíadas
poderiam ser a chance para os tibetanos protestarem”. Um chamado foi lançado
para “protestos em todo o mundo”, uma marcha de exilados tibetanos na Índia,
e protestos no Tibet – todos se aproveitando da visibilidade das Olimpíadas
de Pequim.
Tudo isso foi seguido por uma convocação, em
janeiro último, para um ‘levante’ no Tibet, lançado pelas organizações
baseadas na Índia. Notícias de 25 de janeiro relatam que o “Movimento
Popular pelo Levante do Tibet” foi estabelecido em 4 de janeiro focando as
Olimpíadas de Pequim 2008. A data inicial para os levantes era o dia 10 de
março.
Na época que o levante foi programado, o
embaixador norte-americano para a Índia, David Mulford, se encontrou com o
Dalai Lama em Dharamsala, na Índia. A subsecretária norte-americana de
Estado, Paula Dobriansky, fez uma visita similar a Dharamsala, em novembro
último. Dobriansky também é membro do neoconservador “Projeto para um Novo
Século Americano”. Ela esteve também envolvida nas chamadas ‘revoluções’ no
Leste Europeu.
Em 2002, um livro chamado “A Guerra Secreta da
CIA no Tibet” foi publicado pela Universidade de Imprensa do Kansas. Os dois
autores – Kenneth Conboy da Heritage Foundation e James Morrison, um
veterano do Exército treinado pela CIA – orgulhosamente detalharam como a
CIA organizou e executou o chamado movimento de resistência no Tibet. O
próprio Dalai Lama esteve na folha de pagamento da CIA e aprovou os planos
para o levante armado.
A CIA encarregou o irmão do Dalai Lama, Gyalo
Thodup, como responsável pelos sangrentos ataques de 1959. Um exército de
‘contras’ foi treinado pela CIA no Colorado e depois foram deixados no Tibet
por forças aéreas norte-americanas.
O ataque de 1959 foi uma planejada e organizada
tentativa de golpe da CIA, muito parecida com a invasão da Baia dos Porcos
na Cuba socialista. O propósito foi derrotar o governo tibetano existente e
enfraquecer a Revolução Chinesa enquanto amarrava o povo do Tibet aos
interesses dos EUA. O que pode se dizer sobre os atuais levantes de março,
que foram feitos com o mesmo espírito?
NED: CIA NO SÉCULO XXI
A sombria mão do National Endowment for
Democracy (NED) pode ser encontrada em muitas das reportagens anti-China nas
últimas semanas.
A NED é uma agência do governo que faz na era
pós-Guerra Fria muito do que a CIA fazia durante as operações
contra-revolucionárias contra a União Soviética. Na verdade, isso foi quase
exatamente o que descreveu o primeiro presidente da NED, Allen Weinstein,
sobre a função da agência: “Muito do que nós (NED) fazemos hoje foi feito
secretamente pela CIA nos últimos 25 anos” (‘Washington Post’, 22 setembro
de 1991).
Nos EUA, pouco é conhecido sobre a NED, exceto
pela suas declarações de relações públicas. A ‘grande mídia’, subserviente,
usualmente repete essas notas de declarações públicas.
O escritor australiano Michael Barker, em uma
reportagem de 13 de agosto de 2007, publicada pela revista canadense Global
Research, detalhou na época o crescimento de grupos com o intuito de separar
o Tibet da China, todos financiados pela NED.
A ‘International Campaign for Tibet’, por
exemplo, não apenas é financiado pela NED, mas também possui uma diretoria
que inclui muitos ex-assessores do Departamento de Estado dos EUA e outros
ex-funcionários do governo.
A ‘Tibet Fund’ é outra organização financiada
pela NED, assim como a ‘Tibet Information Network’ e a ‘Tibetan Literary
Society’, descreve Barker. Também recebe financiamento da NED a ‘Tibetan
Review Trust Society’, que publica uma revista apenas em inglês chamada
‘Tibetan Review’. E finalmente, afirma Barker, a NED também financia a
‘Voice of Tibet’, estação de rádio de ondas curtas.
Cerca de 38% dos programas governamentais do
governo norte-americano, não-militares, relacionados à China, são
implementados pela NED. De acordo com o próprio website da NED, outros
recebedores de financiamento da NED incluem o ‘Gu-Chu-Sum Movement of
Tibet’, a ‘Tibet Women’s Association’ e a ‘Longsho Youth Movement of
Tibet’.
SEM FRONTEIRAS
Os atos que marcaram o evento que acendeu a
tocha olímpica no dia 24 de março, na Grécia, foram muito reveladores. Um
protesto, repentinamente, tentou interromper a cerimônia. Todos os
noticiários relataram que era um protesto sobre o Tibet. Três manifestantes
foram presos, mas foram imediatamente liberados. Nenhum era tibetano.
Os três homens franceses, foi revelado, eram
todos de uma notória organização de direita fundada pelos governos da França
e dos EUA. Eles eram todos empregados da organização chamada ‘Repórteres Sem
Fronteira’ (RSF).
Baseado na França, o grupo recebe fundos do
governo dos EUA através do NED, assim como do especulador George Soros
através da ‘Soros Foundation’ e ainda do ‘Center for a Free Cuba’. O enviado
especial do Departamento de Estado, Otto Reich, é diretor do ‘Center for a
Free Cuba’. Ele foi também o advogado da empresa de licor Bacardi, que foi
expulsa de Cuba, junto com o odiado ditador Fulgêncio Batista. O presidente
do Center é Frank Calzón, ex-líder da organização terrorista Cuban American
National Foundation. |