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Para ministra, vazamento é crime grave e houve falsificação da planilha de
dados
A
ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, denunciou na sexta-feira, em
entrevista coletiva, que o fac-símile de uma planilha divulgada pela “Folha
de S. Paulo”, com dados sobre as atividades da Presidência durante o governo
FHC, foi fruto de uma falsificação. Segundo Dilma, no material divulgado
pelo jornal como sendo a “prova” de que o governo teria feito um dossiê foi
uma manipulação. “Foram introduzidos dados que não existem na planilha
oficial da Casa Civil. Uma parte dessas informações não têm o mesmo
alinhamento do nosso banco de dados, por exemplo, a coluna de observações
não existe no nosso banco de dados”, apontou.
“Hoje, com a publicação desse material na Folha,
rui por terra a versão de que a Casa Civil fez um dossiê para chantagear ou
para incriminar quem quer que seja”, afirmou Dilma, lembrando que “qualquer
pessoa que lidou com computador sabe que essa capa é a prova da
falsificação”. “Qualquer um pode entrar e fazer uma capa. Nós recebemos
ontem à noite um fac-símile da suposta planilha e hoje ela aparece
diferente. A parte referente ao horário, que estava rasurada no fac-símile,
hoje está deletada no jornal”, mostrou. “O que eu estou provando é que
qualquer um pode fazer modificações na planilha, porque entre ontem à noite
e hoje de manhã ela modificou-se”, prosseguiu Dilma.
Além de desmascarar a manipulação da Folha, a
ministra alertou que um computador da casa civil, “portanto, um bem
público”, “pode ter sido invadido”. “Parece estranho, parece muito aquela
história do agente secreto com crachá. É estranho alguém fazer um dossiê na
Casa Civil e tirar esse retrato. É como se deixasse uma assinatura. Nós
vamos investigar e chegaremos na pessoa que fez isso”, garantiu.
Dilma chamou a atenção para o fato de que no
documento divulgado pela Folha há referência a informações de auxiliares de
FHC que, com exceção de D. Ruth e as dele, não são sigilosas. “Dados
sigilosos são apenas aqueles do presidente, seus familiares e dignatários
estrangeiros em visita ao país”, explicou.
“Ora, por que fazer dossiê de informações que
não são sigilosas? Por que fazer dossiê com informações que nós vamos, por
solicitação da CPI, entregar agora?”, indagou.
“Nós fizemos banco de dados, não fizemos
dossiê”, afirmou Dilma. “O banco de dados foi feito porque é obrigação dessa
Casa Civil fazê-lo. Organizar os dados existentes faz parte de nossas
obrigações institucionais”, acrescentou.
A ministra disse ainda que não é novidade para
ninguém que a Casa Civil vem fazendo um banco de dados há muito tempo.
“Ninguém pode dizer que não sabia desse fato, até porque em 2005 nós
respondemos a uma solicitação do senador Artur Virgílio, informando que nós
estávamos fazendo um banco de dados e que o período que ele queria, que era
de 1995 a 2002, iríamos disponibilizar quando ficasse pronto”, lembrou.
Sobre o fato das planilhas referentes às
despesas de 1998 à 2002 serem diferentes do sistema de armazenamento de
dados chamado SUPRIM, usado para os cartões corporativos, Dilma mostrou que
não podia ser diferente. “Eram formatos diferentes porque as informações
eram diferentes. O formato para os cartões era um e para as contas de
suprimento tipo B, era outro. Tivemos que criar as planilhas e depois
remodelar para alimentar o SUPRIM”, explicou.
“De 98 a 2000 são 13 mil dados. O total vai dar
23, 24 mil dados. Não é algo que eu possa ter começado a fazer ontem ou
anteontem”, disse a ministra, refutando a afirmação de que ela teria inciado
a feitura do banco de dados após a abertura da CPI dos cartões. “Eu não
comecei a fazer o banco de dados porque eu queria prejudicar a, b ou c.
Fizemos porque era nossa obrigação”, afirmou.
Dilma acrescentou que “o que se sabe é que teve
senador da oposição que teve acesso e viu o banco de dados ou recebeu o
banco de dados”. “Foi insinuado pela imprensa que tinha deputado da situação
que sabia. Mas até agora não apareceu ninguém da situação que sabia de
alguma coisa”. lembrou.
A ministra afirmou que é crime vazar dados
sigilosos e é crime também entrar em computador da casa civil e utilizar
informações ou manipulá-las como é o caso do que aconteceu. “Se o fac símile
não for falso, foi cometido um crime grave de invasão”, afirmou Dilma.
“Vamos fazer uma investigação ampla e irrestrita”, prometeu.
Ela disse que “houve uma tentativa de dolo muito
clara”. “O crime não reside na feitura do banco de dados, reside no
vazamento”, destacou. “Esse governo não vazou, não difundiu, não publicou
informações confidenciais”. “O governo não tem o menor interesse em
chantagear quem quer que seja”, completou, informando que acionaria a
Polícia Federal (ver matéria abaixo) para investigar o caso.
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